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UE adia adesão de Albânia e Macedônia do Norte

BRUXELAS, 18 OUT (ANSA) – O Conselho Europeu, reunido nesta sexta-feira (18), em Bruxelas, não conseguiu chegar a um acordo para iniciar as negociações para a adesão de Albânia e Macedônia do Norte à União Europeia.   

O órgão é a principal instância política do bloco e congrega os líderes de todos os Estados-membros, que decidiram adiar a discussão para maio de 2020, quando haverá uma cúpula com países dos Bálcãs em Zagreb, na Croácia.   

A oposição à adesão de Albânia e Macedônia do Norte é capitaneada pela França, cujo presidente, Emmanuel Macron, disse haver ainda situações “não resolvidas” nos dois países, como a questão migratória.   

“Não considero que devemos ter relações apenas de expansão com nossos vizinhos”, afirmou o mandatário. O bloqueio irritou outros Estados fundadores da UE, como Itália e Alemanha. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, chamou a decisão de “erro histórico”, enquanto a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que a falta de unanimidade sobre o tema é “deplorável”.   

“Esse era um compromisso com a história. Faz uma vida que essas comunidades querem estar na Europa, seu desejo é entrar na Europa. Tratava-se apenas de iniciar as negociações para a adesão”, declarou Conte.   

“É do interesse da UE ter esses países ancorados”, reforçou Merkel. Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu para Albânia e Macedônia do Norte “não se renderem”. “Um dia vocês se tornarão membros da UE. Acho que a decisão foi um erro.   

Se quisermos ser respeitados, precisamos manter nossas promessas”, afirmou. Além da França, Dinamarca e Holanda também se opuseram. Histórico – O adiamento pode provocar um terremoto político nos dois países, especialmente na Macedônia do Norte, que mudou até de nome para conseguir entrar na União Europeia.   

Já há rumores de que o primeiro-ministro macedônio, Zoran Zaev, renunciará ao cargo. O país é candidato desde dezembro de 2005, mas a adesão só virou uma possibilidade real em 2018, quando chegou a um acordo com a Grécia para se chamar “Macedônia do Norte”.   

Até então, a nação era reconhecida oficialmente como “Ex-República Iugoslava da Macedônia”, já que a Grécia reivindica para si a exclusividade sobre o termo “Macedônia”, que batiza a porção setentrional do país. A mudança de nome gerou protestos de nacionalistas, mas o governo rebatia as críticas com o argumento de que Skopje entraria na UE.   

Já a Albânia apresentou sua candidatura em abril de 2009, e Bruxelas exigia medidas de combate à corrupção e ao crime organizado, além de uma reforma do sistema judiciário, antes de começar as negociações.   

Atualmente, a UE conta com 28 membros, número que cairá para 27 com a saída do Reino Unido. (ANSA)