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UE abre a porta à Huawei, mas impõe restrições

UE abre a porta à Huawei, mas impõe restrições

O 5G, uma nova etapa da comunicação móvel, permitirá conectar tudo o que atualmente não está conectado, principalmente objetos, em indústrias, cidades ou na área da saúde - AFP

Depois da autorização parcial de Londres, a União Europeia abriu nesta quarta-feira (29) sua porta à chinesa Huawei para desenvolver a rede 5G, mas com uma série de recomendações estritas para prevenir qualquer risco de segurança.

Em um comunicado, a fabricante chinesa comemorou a decisão europeia, elogiando a abordagem “objetiva e baseada em fatos” a respeito da segurança da rede 5G.

Washington pressiona seus aliados a excluírem a Huawei, acusando-a de espionar em nome de Pequim. Austrália e Japão seguiram suas recomendações, mas a UE resiste, mesmo que ainda esteja ameaçada de uma guerra comercial com os Estados Unidos.

“Nós, na Europa, aceitamos todos, mas temos regras, essas regras são claras, exigentes”, declarou o comissário europeu da Indústria, Thierry Breton, durante a apresentação de um guia de medidas a serem adotadas para garantir a segurança das redes 5G.

Elaboradas pelos países do bloco e pelo Executivo comunitário, as recomendações estipulam a aplicação de “restrições pertinentes para os provedores considerados de alto risco”, sem nomear explicitamente nenhuma empresa.

Para “mitigar os riscos de segurança”, a UE recomenda realizar as “exclusões necessárias (…) para os ativos críticos e sensíveis, como as funções de gestão e de orquestração da rede”, explica a Comissão.

Os países da UE estão convocados a vigiar que cada uma de suas operadoras “disponha de vários provedores para evitar a dependência de empresas consideradas de alto risco”.

Cada país e cada operador também é chamado a “ter várias fontes de fornecedores para reduzir riscos”.

Número dois no mercado de smartphones, a Huawei se estabeleceu no desenvolvimento da internet móvel 5G ultrarrápida com grande vantagem sobre seus rivais Ericsson, Nokia e Samsung.

Em entrevista na terça-feira ao jornal belga Echo, Walter Ji, diretor da Huawei Europa, considerou “impossível” que sua empresa fosse excluída da UE.

“Tecemos forte laços e consolidamos fundações sólidas com nossos parceiros tecnológicos locais. Nossa tecnologia é de ponta e representa muito valor comercial aos olhos dos operadores”, explicou.

– Difícil sem a Huawei –

Mesmo que Breton tenha reiterado que “a Europa não está atrasada no 5G”, lembrando que “possui 50% das patentes do mundo nessa área”, parece difícil para a União ficar sem a Huawei: no plano industrial, possui uma vantagem tecnológica sobre seus concorrentes e já está presente em muitos países.

Foi o que o governo britânico explicou na terça-feira para justificar sua decisão. Decidiu integrar a Huawei ao desenvolvimento de sua rede 5G, mantendo-a longe dos equipamentos mais arriscados, em particular o “coração da rede”, de onde tudo é controlado.

Enquanto se prepara para deixar a UE na sexta-feira, o Reino Unido trabalhou com os outros países europeus para desenvolver as diretrizes neste campo.

Na Alemanha, enquanto a chanceler Angela Merkel pede para deixar a porta aberta para a Huawei, seu parceiro de coalizão socialdemocrata é contra.

Neste país, as operadoras possuem atualmente até 60% dos equipamentos Huawei em suas redes 3G e 4G. Esta situação dificultaria a migração para o 5G sem o equipamento chinês, implicando a reinstalação de novos equipamentos 4G em particular – portanto, um custo adicional significativo e atraso na implantação.

Na França, se uma lei prevê o fortalecimento do controle dos equipamentos das redes antes da instalação da rede 5G para garantir sua segurança, nenhuma disposição visa especificamente ao grupo chinês.

Espanha, Itália, Polônia e Grécia, em particular, já planejam que as operadoras usem a Huawei em suas implantações, ao lado da Ericsson e da Nokia.

O 5G, uma nova etapa da comunicação móvel, permitirá conectar tudo o que atualmente não está conectado, principalmente objetos, em indústrias, cidades ou na área da saúde.