Ucranianos vão ler a “pernambucana” Clarice
TERRA MÃE Versão na Ucrânia de A Paixão segundo G.H.: intimismo (Crédito:Divulgação)

Clarice Lispector, uma das principais escritoras brasileiras, nasceu na Ucrânia em 1920. A sua família, dois anos depois, fugindo da guerra civil na Rússia e da perseguição a judeus, veio para o Brasil — primeiro Maceió, depois Recife, finalmente Rio de Janeiro. Já adulta, ela costumava dizer: “sou pernambucana”. E se lhe afirmavam, “mas você nasceu na Ucrânia”, Clarice retorquia: “lá só vivi pequenininha; nunca pisei o chão, eu era de colo”. Agora, o seu melhor livro teve versão lançada na Ucrânia, em plena guerra contra o totalitário Vladimir Putin. Intitula-se A Paixão segundo G.H. Trata-se de um mergulho psicológico na alma de uma mulher que se despersonifica ao encontrar e esmagar uma barata em seu guarda-roupa. Cada frase que encerra um capítulo abre o seguinte, mesclando interrupção com continuidade — e tirando o fôlego de quem acompanha a história. Ou seja: consegue ela, dessa forma, fazer com que o leitor, a partir de seu próprio universo psíquico, sinta a aflição da personagem. A “pernambucana”, para glória do Brasil, em forma de livro está em chão ucraniano. Ela morreu em 1977 no Rio de Janeiro.

RELIGIÃO
Vaticano consagrará outro santo do Brasil

Como vem ocorrendo nos últimos tempos, na semana passada o papa Francisco deu outro passo para que mais um religioso brasileiro caminhe para a canonização. Trata-se do padre Aloísio Sebastião Boeing, que se tornou “venerável” (era “servo de Deus”). Agora é necessária a comprovação de dois milagres que tenham ocorrido pela interseção de Aloísio. Ele nasceu na véspera de Natal de 1913, na cidade catarinense de São Martinho, e faleceu em 2006. Integrou a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Foi um dos principais incentivadores da criação de ordens femininas, a exemplo da Fraternidade Mariana do Coração de Jesus.

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VENERÁVEL Padre Aloísio: Incentivador da criação de ordens femininas (Crédito:Divulgação)

37 é o número de santos brasileiros. E há 51 beatos rumo à canonização

HOMENAGEM
Alcione Albanesi receberá prêmio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos

Cerca de 300 povoados e comunidades do sertão de Pernambuco, Alagoas e Ceará têm há 30 anos uma madrinha. Seu nome: Alcione Albanesi. Ela é fundadora, presidente e voluntária do projeto Amigos do Bem, que mensalmente melhora a vida de aproximadamente 150 mil pessoas nessas regiões, impactando milhões de famílias que historicamente sobrevivem em situação de vulnerabilidade econômica, financeira e social. Nada mais justo e merecido, portanto, que Alcione seja homenageada. E o será no próximo dia 10 de maio: Alcione receberá, em nome do Amigos do Bem, o prêmio Social Responsability Awards, no evento Person of The Year Awards Gala Dinner/2023. Trata-se de premiação promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Como todos aqueles que atuam de corpo e alma na mitigação da miserabilidade do sertão nordestino, Alcione trabalha em silêncio, distante de holofotes. Também por isso o prêmio cresce em importância: um dia, em longínquo passado, ela abriu mão de toda a fortuna que possuía como empresária para se dedicar aos pobres dos sertões. O trabalho de Alcione com os Amigos do Bem ergueu quatro centros de transformação nos quais dez mil crianças e jovens participam de atividades culturais e educativas. Mais: há fábricas de beneficiamento de castanhas e produção de doces, oficinas de costura, artesanato e praças digitais. O Brasil e o sertão nordestino, em especial, te aplaudem madrinha nessa premiação.

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FELICIDADE Alcione e crianças em situação de vulnerabilidade atendidas pelo projeto Amigos do Bem: madrinha do sertão nordestino (Crédito:Divulgação)

A renda proveniente da venda de produtos totalmente solidários com  o projeto Amigos do Bem é investida no próprio trabalho da entidade