Ucraniano é proibido de usar capacete com rostos de mortos em guerra nas Olimpíadas

MILÃO, 10 FEV (ANSA) – O Comitê Olímpico Internacional (COI) proibiu o piloto de skeleton ucraniano Vladyslav Heraskevych de competir nas Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina utilizando um capacete com os rostos de atletas vítimas da invasão russa em seu país, que completa quatro anos neste mês.   

Por outro lado, o COI permitiu que Heraskevych endosse uma braçadeira preta em sinal de luto pelos mortos na guerra. O ucraniano havia exibido o capacete durante uma sessão de treinos na pista de skeleton em Cortina d’Ampezzo, porém não poderá mais usá-lo nos Jogos de 2026.   

Em seu perfil no Instagram, Heraskevych disse que a proibição é de “partir o coração” e acusou o COI de “trair os atletas que fizeram parte do movimento olímpico, impedindo que eles sejam homenageados em uma arena esportiva onde nunca mais poderão pisar.   

Já o porta-voz do Comitê Olímpico Internacional, Mark Adams, declarou que o aval para o uso de uma braçadeira de luto é um “bom compromisso”, uma vez que o capacete violava “diretrizes sobre símbolos políticos” nas Olimpíadas.   

Heraskevych, no entanto, ganhou elogios do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. “Seu capacete traz retratos de nossos atletas mortos pela Rússia. O patinador Dmytro Sharpar, morto em combate perto de Bakhmut; Yevhen Malyshev, um biatleta de 19 anos morto pelos ocupantes perto de Kharkiv; e outros atletas ucranianos cujas vidas foram ceifadas pela guerra travada pela Rússia”, afirmou o mandatário.   

Para Zelensky, o piloto de skeleton “lembrou ao mundo o preço da nossa luta”, e essa “verdade não pode ser inapropriada ou etiquetada como manifestação política em um evento esportivo”, disse Zelensky.   

Essa não é a primeira vez que Heraskevych chama a atenção para o conflito no leste europeu. Nos Jogos de Inverno de 2022, em Pequim, ele exibiu um cartaz com os dizeres “Não à guerra na Ucrânia”. As baterias do skeleton em Milão-Cortina estão marcadas para 12 e 13 de fevereiro. (ANSA).