A Ucrânia realizará eleições presidenciais apenas quando a situação de segurança no país, em guerra com a Rússia, o permitir, afirmou nesta quarta-feira (11) à AFP um funcionário ucraniano que pediu anonimato.
Citando fontes anônimas, o Financial Times afirma que Kiev considera a possibilidade de realizar eleições presidenciais nos próximos três meses.
O Kremlin sustenta que o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, é ilegítimo desde que seu mandato de cinco anos expirou em 2024, e a Casa Branca pede eleições na Ucrânia como parte de um acordo de paz que tenta negociar.
“As eleições devem ser realizadas o quanto antes, mas não antes de que a situação de segurança o permita. Por ora, o terror russo continua e nada indica que a Rússia esteja interessada em pôr fim à guerra”, disse o funcionário ucraniano.
Zelensky repetiu reiteradas vezes que a Ucrânia pode realizar eleições quando assinar um acordo de paz com a Rússia, mas recentemente mostrou-se disposto a antecipá-las como parte do plano americano para encerrar a guerra.
“Não quero que a Ucrânia esteja em qualquer tipo de posição fraca, que ninguém possa usar a ausência de eleições como argumento”, declarou Zelensky em dezembro.
“E por isso sou claramente a favor de realizar eleições”, acrescentou. Mas considera que qualquer acordo que implique ceder território a Moscou deveria ser submetido a referendo.
Zelensky, ex-ator e ex-humorista, foi eleito em 2019 para um mandato de cinco anos.
A lei marcial, imposta quando a Rússia invadiu o país em fevereiro de 2022, impede a realização de eleições, e as pesquisas mostram que a opinião pública também não é favorável a votar em meio à guerra.
Há uma série de obstáculos práticos para a realização de pleitos, como a segurança durante a campanha e nos dias de votação.
Também não se sabe o que fazer com os milhões de refugiados ucranianos que foram obrigados a deixar o país e os milhões de deslocados internos. Isso sem contar os centenas de milhares que vivem sob ocupação russa.
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