Ucrânia lança maior contraofensiva desde 2023 e recupera 63 km²

O Exército ucraniano conquistou 63 km² de território diante do Exército russo entre a quarta-feira da semana passada e o último domingo, segundo uma análise da AFP com base em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês).

Concretamente, a Ucrânia recuperou 91 km², dos quais 86 km² em uma área situada quase 80 quilômetros ao leste da cidade de Zaporizhzhia, onde as tropas russas haviam avançado consideravelmente desde o verão de 2025.

Paralelamente, o Exército russo conquistou 28 km² em outros setores da frente de batalha, o que resulta em um avanço territorial líquido de 63 km² a favor da Ucrânia.

As forças de Kiev não haviam recuperado tanto território em tão pouco tempo desde a contraofensiva iniciada em junho de 2023.

A título de comparação, o Exército russo avançou 319 km² em janeiro.

Uma pista para explicar o avanço ucraniano é a interrupção das antenas Starlink (serviço de internet via satélite) utilizadas por Moscou na linha de frente.

“As contraofensivas ucranianas provavelmente se aproveitam do bloqueio do acesso das forças russas ao Starlink que, segundo os blogueiros militares russos, prejudica as comunicações e o comando”, avalia o ISW.

Em 5 de fevereiro, observadores militares russos já haviam notado essa interrupção após anúncios de Elon Musk, proprietário da SpaceX (que comercializa o Starlink). O empresário americano anunciou “medidas” para acabar com o uso dessa tecnologia pelo Kremlin.

Segundo a Ucrânia, drones russos usaram o Starlink para contornar os sistemas de interceptação eletrônica e atingir seus alvos com precisão.

Antes da invasão que começou em fevereiro de 2022, a Rússia já controlava cerca de 7% do território, incluindo a Crimeia e parte de Donbass (leste do país).

Atualmente, a Rússia controla pouco mais de 19% do território ucraniano.

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