Ucrânia enfurecida após CEO da alemã Rheinmetall desdenhar de seus drones

Ucrânia enfurecida após CEO da alemã Rheinmetall desdenhar de seus drones

"OChefe da Rheinmetall disse que aparelhos são feitos por "donas de casa" brincando de Lego com impressoras 3D em suas cozinhas. "Isso não é inovação", afirmou empresário da gigante do setor de defesa.Após o CEO da Rheinmetall, gigante alemã do setor de defesa, chamar os fabricantes ucranianos de drones de "donas de casa" que brincam de Lego em suas cozinhas, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, rebateu nesta segunda-feira (30/3) que, se isso fosse verdade, "toda dona de casa na Ucrânia poderia ser CEO da Rheinmetall".

"Se cada dona de casa na Ucrânia realmente pode produzir drones, então cada dona de casa na Ucrânia pode ser CEO da Rheinmetall", disse Zelenski a repórteres em uma conversa no WhatsApp. "Parabenizo nosso complexo industrial de defesa por estar em um nível tão alto."

A fala de Zelenski foi feita após o empresário alemão Armin Papperger fazer comentários desabonadores aos ucranianos que foram reproduzidos numa reportagem publicada na revista The Atlantic na sexta-feira. "São donas de casa ucranianas", disse. "Elas têm impressoras 3D na cozinha, e produzem peças para drones. Isso não é inovação", acrescentou, comparando a produção ucraniana a uma "brincadeira com Legos".

Na reportagem, Papperger defende a aposta da Rheinmetall em armas pesadas, incluindo tanques e artilharia, apesar da prevalência cada vez maior em conflitos de drones baratos capazes de destruí-los.

A Rheinmetall é uma das maiores fabricantes de armas da Europa, com faturamento de quase 10 bilhões de euros em 2025 (R$ 60 bilhões), e uma das principais fornecedoras da Ucrânia. A empresa vende munições, sistemas de defesa aérea e veículos de combate a Kiev.

Drones ucranianos estão sendo exportados para o conflito no Oriente Médio

Drones de fabricação nacional são motivo de orgulho na Ucrânia, que desenvolveu significativamente sua tecnologia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Os aparelhos têm sido cruciais no combate contra o Exército russo, que é muito mais numeroso e bem armado.

Por causa da guerra, o país se transformou em um dos principais fabricantes de drones interceptadores de ponta, testados em batalha, e notórios por serem baratos e eficientes.

Na semana passada, o governo ucraniano anunciou a assinatura de acordos de defesa com vários países do Oriente Médio que buscam expertise para derrubar ataques iranianos.

Os acordos com Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar preveem a cooprodução de drones, com compartilhamento de tecnologia ucraniana.

Ucranianos respondem com deboche nas redes: #FeitoPorDonasDeCasa

Os comentários de Papperger geraram críticas nas redes sociais ucranianas, com usuários compartilhando a hashtag #MadeByHousewives ("feitos por donas de casa") e respondendo com piadas e memes que destacam a eficácia das defesas antidrones da Ucrânia.

Alguns internautas compartilharam imagens de mulheres ucranianas em trajes tradicionais exibindo ou construindo drones em um ambiente rural.

Desde os primeiros dias da invasão russa, a Ucrânia tem contado com uma inovação rápida, muitas vezes caseira, para igualar o poder de fogo de Moscou.

Via X, o assessor presidencial ucraniano Oleksandr Kamyshin disse que drones ucranianos como os desprezados por Papperger destruíram mais de 11 mil tanques russos.

Rheinmetall emite nota

Após a repercussão negativa da entrevista de Papperger, a Rheinmetall declarou no domingo que tem "máximo respeito pelos imensos esforços do povo ucraniano em se defender".

"A força inovadora e o espírito combativo do povo ucraniano são uma inspiração para nós", disse em nota a empresa, que mantém uma joint venture com a Ucrânia para produção de munição no país.

Momentos depois, a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, respondeu via X que não só o povo ucraniano merece respeito como o país tem a ensinar com sua experiência.

"As mulheres ucranianas são, de fato, parte essencial do esforço de guerra da Ucrânia e da segurança da Europa", escreveu. "Elas entraram com coragem em muitas áreas antes vistas como dominadas por homens, trazendo energia, disciplina e determinação."

"E fazem isso enquanto criam a nossa próxima geração e cuidam de suas famílias sob as pressões da guerra", acrescentou.

ra (AP, AFP, Reuters, EFE)