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Ucrânia aprova lei para reforçar uso do idioma na administração pública

Ucrânia aprova lei para reforçar uso do idioma na administração pública

Partidários do presidente Petro Poroshenko em 19 de abril de 2019 - AFP

O Parlamento da Ucrânia aprovou, nesta quinta-feira, uma lei para reforçar o uso do idioma ucraniano na administração pública, uma medida que provavelmente irritará as regiões que falam russo e Moscou.

Os legisladores aprovaram a medida, que também aumenta a porcentagem de programas de rádio e televisão em língua ucraniana, poucos dias após a eleição à presidência de Volodymyr Zelensky, que fala russo.

Funcionários públicos de todos os níveis, bem como médicos, professores, advogados e outros profissionais terão que falar em ucraniano ou serão multados. A lei não se aplica a comunicações privadas ou ritos religiosos, segundo a imprensa.

A lei entrará em vigor em três anos, o tempo para a instalação de centros em todo o país para apoiar a aprendizagem da língua e da cultura ucranianas, indicou o legislador Nikolai Knyazhitsky à agência de notícias Interfax-Ucrânia.

O presidente Petro Poroshenko chamou a votação de “acontecimento histórico”, comparando-a com a recuperação do exército e a criação de uma igreja ucraniana unificada durante o seu mandato.

O presidente eleito Zelensky, ator e humorista que interpretou o papel de presidente em uma série em língua russa, mas que não tem experiência política, costuma falar em russo.

A lei sobre a língua foi aprovada um dia depois de a Rússia facilitar a obtenção do passaporte russo para os habitantes das regiões separatistas ucranianos de Donetsk e Lugansk (leste), provocando a condenação de Kiev.

Nesta quinta-feira foi a vez da União Europeia acusar a Rússia de “exacerbar” as tensões com Kiev. “Esperamos da Rússia que ela não conduza ações contrárias aos acordos de Minsk e que ela não impeça a reintegração total” das zonas controladas pelos separatistas, advertiu a UE em comunicado.

O anúncio de Moscou “imediatamente após as eleições presidenciais, que mostraram o forte apreço da Ucrânia pela democracia e pelo Estado de direito, evidencia a intenção da Rússia de desestabilizar ainda mais o país”, afirmou, por sua vez, a porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Já o presidente russo Vladimir Putin assegurou nesta quinta que está disposto a “restabelecer totalmente” as relações com a Ucrânia, desde que não aconteça de forma “unilateral”, após a vitória de Zelenski.

“Queremos e estamos dispostos a restabelecer totalmente nossas relações com a Ucrânia, mas não podemos fazê-lo unilateralmente”, afirmou a jornalistas em Vladivostok, onde participa de uma cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong Un.

O presidente russo acrescentou que a vitória de Zelesnki, com mais de 73% dos votos, simboliza “o fracasso total da política de Poroshenko”.

Poroshenko adotou, de fato, uma linha dura em relação à Rússia, com quem rompeu relações assim que chegou ao poder em 2014.

A Rússia e a Ucrânia estão em confronto desde a revolta popular de 2014 que causou a queda do governo ucraniano apoiado pelo Kremlin.

Pouco depois, a Rússia anexou a península da Crimeia e apoiou os rebeldes em um conflito separatista no leste da Ucrânia, que já custou a vida de 13.000 pessoas.