Turquia recebe chanceler do Irã e espera reduzir tensão com EUA

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, se reuniu nesta sexta-feira (30) em Istambul com seu homólogo turco, Hakan Fidan, que busca evitar um eventual ataque dos Estados Unidos contra o Irã, cenário que poderia desestabilizar a região.

Esta é a primeira visita ao exterior de Araghchi desde o início da onda de protestos no Irã, que aconteceu entre dezembro e janeiro e foi violentamente reprimida pelo regime.

Mais de 6.400 pessoas morreram nas manifestações, segundo um balanço da ONG Agência de Notícias de Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos.

A viagem acontece em um cenário de grande tensão para o governo iraniano, com a presença de navios de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio e a decisão da União Europeia de incluir a Guarda Revolucionária, seu exército de elite, na lista de organizações terroristas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “espera não ter que utilizar” a força naval contra Teerã, mobilizada após a violenta repressão aos protestos, e o Irã advertiu que atacaria “instantaneamente” os porta-aviões e bases americanas na região em caso de ação contra o país.

A Turquia, país membro da Otan que mantém sólidas relações com o Irã, deseja evitar uma escalada militar nas imediações de seu território, que poderia desencadear ainda um novo fluxo de migrantes através dos 550 km de fronteira que compartilha com a República Islâmica.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, propôs nesta sexta-feira ao seu homólogo do Irã, Masoud Pezeshkian, atuar como “facilitador” entre Teerã e Washington “para apaziguar tensões e resolver problemas”, informou a presidência turca em um comunicado.

Em resposta, Pezeshkian destacou que a via diplomática será possível apenas se Washington parar de ameaçar seu país, indicou a presidência iraniana.

“O sucesso de qualquer iniciativa diplomática depende da boa vontade das partes envolvidas em abandonar ações beligerantes e ameaçadoras na região”, disse Pezeshkian a Erdogan por telefone.

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