A Turquia terminou seus “preparativos” para lançar uma nova ofensiva no norte da Síria, com o objetivo de “destruir” uma milícia curda apoiada por Washington, mas que Ancara considera “terrorista”, declarou nesta terça-feira o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
“Vamos destruir a estrutura terrorista no leste do (rio) Eufrates. Finalizamos nossos preparativos, nossos planos e nossos programas”, afirmou o chefe de Estado turco em discurso para deputados de seu partido no Parlamento.
“Começamos há alguns dias nossa intervenção contra esta organização terrorista”, acrescentou. “Pronto, haverá operações mais eficazes e mais amplas”, assegurou.
O exército turco bombardeou no domingo posições das Unidades de Proteção do Povo (YPG) localizadas na margem leste do Eufrates, norte da Síria, no oeste de Kobane (Ain al-Arab, em árabe), segundo a agência de notícias oficial turca Anadolu.
As YPG constituem a espinha dorsal das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão curdo-árabe apoiada pelos Estados Unidos na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
Ancara, entretanto, considera as mesmas uma extensão na Síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo que trava uma batalha violenta em território turco desde 1984.
Enquanto o PKK é classificado como “terrorista” pelos aliados ocidentais da Turquía, esse não é caso das YPG.
Erdogan tem ameaçado reiteradamente nos últimos dias com o lançamento de uma ofensiva a leste do Eufrates, depois de duas precedentes realizadas em 2016 a oeste do rio, contra o EI e as YPG.
A Turquia teme que o estabelecimento de uma entidade curda em sua fronteira com a Síria estimule ambições separatistas em seu próprio território.
Segundo a Anadolu, os bombardeios turcos de domingo tiveram como alvo refúgios e trincheras das YPG em uma colina naa aldeia de Zur Maghar, localizada na margem do Eufrates, em frente à cidade de Yarabulus.
Nos últimos meses, a Turquia ameaçou repetidas vezes atacar Minbej, onde também estão tropas americanas.
Para evitar um confronto entre ambos os países aliados na OTAN, Ancara e Washington estabeleceram um plano que inclui a retirada das YPG de Minbej. A Turquia, contudo, queixou-se recentemente da presença permanente de membros desta milícia curda no local.