ISTAMBUL, 5 MAR (ANSA) – A Turquia anunciou nesta quinta-feira (5) que enviará mil agentes das Forças Especiais para a fronteira com a Grécia, na tentativa de “evitar a repulsão” dos migrantes por parte das autoridades de Atenas.
A informação foi anunciada pelo ministro do Interior de Ancara, Suleyman Soylu, após visitar a fronteira entre os dois países, onde estão concentrados pelo menos 138.647 migrantes – em sua maioria sírios, afegãos e iraquianos – depois que o presidente turco, Recep Tayyp Erdogan, abriu as passagens em direção à União Europeia. Segundo o governo grego, até o momento, foram registradas cerca de 24 mil tentativas ilegais de entrada no país. A nova crise teve início no último dia 27 de fevereiro, quando 33 soldados da Turquia morreram durante um bombardeio aéreo na província de Idlib, na Síria. O Exército turco retaliou o ataque e os confrontos na região ganharam força. Um dia depois, Erdogan, por sua vez, ordenou a abertura das fronteiras de seu país, o que, segundo especialistas, é uma forma da Turquia pressionar a Europa para obter apoio no território sírio, onde Ancara luta contra o regime de Bashar-al-Assad. O afluxo de migrantes gerou preocupação entre os líderes europeus. A França, inclusive, chegou a acusar o presidente turco de usar os refugiados para “chantagear” a União Europeia, depois que ele alertou que a nova crise só será resolvida se suas iniciativas militares na Síria forem apoiadas. Ontem (4), as autoridades turcas ainda disseram que um migrante foi morto por tiros disparados por agentes das forças gregas quando tentavam atravessar a fronteira entre os dois países.
Apesar da acusação, a Grécia negou a informação. No último final de semana, a polícia de Atenas entrou em confronto com um grupo de migrantes e precisou usar gás lacrimogêneo para conter a confusão. A situação fez a Agência Europeia de Controle de Fronteiras (Frontex) decretar “estado de alerta” na fronteira grego-turca. (ANSA)