Turquia afirma que a Rússia revisou suas exigências territoriais na Ucrânia

A Rússia continua exigindo à Ucrânia a cessão do Donbass (leste), mas está disposta a interromper os combates na frente no sul do país, afirmou na noite de quinta-feira o chanceler turco, Hakan Fidan.

Consultado nesta sexta-feira (29), o Kremlin não desmentiu nem confirmou tais declarações, explicando que não queria revelar os “detalhes” das negociações.

O Exército russo ocupa aproximadamente um quinto do território ucraniano e Moscou reivindica a anexação de cinco regiões: Donetsk e Luhansk, que formam o Donbass, Kherson e Zaporizhzhia, e a península da Crimeia, anexada em 2014.

Durante as conversas realizadas no início do ano em Istambul, os negociadores russos exigiram que a Ucrânia se retirasse completamente dessas cinco regiões como condição para o fim dos combates.

No entanto, segundo a Turquia, a Rússia suavizou sua posição após a recente cúpula no Alasca entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo russo, Vladimir Putin.

Os russos “renunciaram a essa exigência e permanecem nas linhas de contato, com exceção de uma região (…)”, declarou Fidan em entrevista à emissora TGRT Haber.

“Atualmente existe um acordo preliminar sobre a restituição [cessão à Rússia] de 25 a 30% da [região de] Donetsk e a manutenção das linhas de contato [nas regiões de] Zaporizhzhia e Kherson”, acrescentou.

O ministro não especificou se esse “acordo preliminar” foi alcançado entre Moscou e Washington ou entre Moscou e Kiev – que até agora rejeitou categoricamente qualquer concessão territorial -, nem quando foi firmado.

No entanto, o chefe da diplomacia turca reconheceu que seria “difícil” para a Ucrânia ceder territórios, especialmente a vasta bacia do Donbass, a área mais protegida do front, com cidades fortificadas e centenas de quilômetros de trincheiras e campos minados.

fo-burx/rba/bur/bds/mmy/hgs/jc/yr