Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Países selam acordo pouco antes do início da cúpula da aliança militar do Atlântico Norte em Madrid. Ancara ameaçava impedir entrada dos países nórdicos por desentendimentos em torno de políticas antiterrorismo.O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, informou nesta terça-feira (28/06) que Turquia removeu sua oposição à adesão da Suécia e da Finlândia à aliança militar, o que encerra um impasse criado em meio à mais grave crise de segurança das últimas décadas na Europa, com a invasão russa da Ucrânia.

“Chegamos agora a um acordo que abre o caminho para a Finlândia e a Suécia entrarem na Otan”, disse Stoltenberg, após conversações em caráter de urgência, pouco antes do início da cúpula dos líderes da Otan em Madrid.

A invasão russa ao país vizinho e a guerra de agressão levada a cabo por Moscou fez com que suecos e finlandeses abandonassem seus tradicionais status de países não alinhados, e tomassem as providências necessárias para iniciar o processo de adesão à aliança.

Mas, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou impedir a adesão dos países escandinavos, a não ser que ambos modificassem suas posições em relação a grupos curdos rebeldes considerados como terroristas pela Turquia.

Nos últimos cinco anos, a Suécia e a Finlândia negaram 33 pedidos de extradição feitos pela Turquia, segundo afirmou o Ministério turco da Justiça.

Ancara pediu a extradição de indivíduos acusados de terem ligações com separatistas curdos ou pertencentes ao movimento liderado por Fethullah Gülen, responsabilizado por Erdogan por uma tentativa de golpe de Estado em 2016.

A Turquia repreendeu a Suécia, em particular, por tratar de forma “leniente” o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que tem conduzido uma insurgência violenta contra o Estado turco desde 1984. A Suécia também suspendeu as vendas de armas à Turquia em 2019 por causa da operação militar de Ancara na Síria.

“Turquia obteve o que desejava”

Analistas e diplomatas ocidentais acreditavam que Erdogan não tinha, de fato, a intenção de barrar a Finlândia e a Suécia, mas que seu plano seria arrancar concessões desses dois países em troca do seu aval. A opinião também é compartilhada por diplomatas ocidentais.

O ingresso de novos membros na Otan só é possível com a aprovação unânime dos Estados que já fazem parte da aliança, o que é o caso da Turquia desde 1952.

Mas, nesta terça-feira, o presidente finlandês, Saul Niinisto anunciou que os três países assinaram um acordo conjunto para pôr fim ao impasse. O gabinete de Erdogan afirmou em nota que “a Turquia obteve o que desejava”. O governo em Ancara disse ter conquistado “ganhos significativos na luta contra organizações terroristas”.

A notícia veio em boa hora, pouco antes da abertura oficial da cúpula da Otan, que deverá ser dominada pelo tema da invasão russa da Ucrânia. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outros líderes da aliança a estão em Madrid para a reunião, que definirá o rumo da organização pelos próximos anos.

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