De abril a outubro, com picos entre maio e julho, as baleias jubarte (Megaptera novaeangliae) são presença garantida na costa brasileira. Deixam a região da Antártica, onde passam o resto do ano, para se reproduzir e amamentar seus filhotes. O que as atrai é a alta temperatura do litoral do País. “O processo de gestação das baleias dura em torno de 11 meses e elas só conseguem procriar em águas quentes. Depois de nascerem, as mães precisam cuidar dos filhotes e amamentá-los, para que aguentem a migração em outubro até o Polo Sul”, explica Gustavo Rodamilans, coordenador do Projeto Baleia Jubarte. Com avistamentos cada vez mais frequentes dos animais, o espetáculo natural atrai e encanta moradores e turistas. No ano passado, apenas na região de Salvador, na Bahia, foram registradas mais de 500 baleias.

Segundo o Ministério do Turismo, há atividades organizados por agências de turismo na faixa que vai de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, até Parnamirim, no Rio Grande do Norte, passando por praias de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Os passeios que levam turistas em embarcações para avistar esses mamíferos marinhos movimentam mais de R$ 3 milhões por ano e atraem mais de dez mil turistas por temporada. “O turismo é uma grande ferramenta de conservação. O instituto não tem nenhuma responsabilidade comercial, mas para nós serve a antiga máxima que diz que ‘vale muito mais uma baleia viva’. A economia se beneficia desse valor”, afirma Enrico Marcovaldi, fundador do Instituto Baleia Jubarte, que administra o projeto homônimo e outras iniciativas ecológicas relacionadas.

Turismo de avistamento de baleias ajuda a preservar animais no litoral brasileiro
(Florian Plaucheur)

O Turismo de Observação de Baleias e Golfinhos, conhecido como Whale Watching, ocorre em mais de 100 países. Segundo estudos, a atividade gera receita de US$ 2 bilhões às comunidades costeiras.

O Projeto Baleia Jubarte é uma das instituições mais ativas na preservação do cetáceo. Há quase quatro décadas realiza ações ambientais para conscientizar a população da importância do animal para o ecossistema marinho. A população dessa espécie hoje é estimada em 35 mil indivíduos em todo o mundo, número irrisório que não afasta o alarmante risco de extinção.

Mas a situação está melhor do que no passado, uma vez que, ao longo dos séculos de caça comercial, estima-se que foram massacrados centenas de milhares de animais. Em 1965 o abate foi proibido mundialmente pela Comissão Internacional da Baleia. No Brasil, um decreto de 1986 proibiu a caça ao mamífero.

*Estagiário sob supervisão de Luiz Cesar Pimentel