Tunísia exporta ‘condenados’ à Itália, diz Salvini

TUNÍSIA, 04 JUN (ANSA) – O Ministério das Relações Exteriores da Tunísia manifestou nesta segunda-feira (4) seu “profundo estupor” por conta de uma declaração do novo ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, que no último domingo (3) dissera que o país africano exporta “condenados”.   

Esse é o primeiro incidente diplomático internacional protagonizado por Salvini, líder da ultranacionalista Liga, desde que ele tomou posse na pasta responsável pela gestão migratória e da segurança no país, na última sexta-feira (1º).   

Em visita à Sicília no fim de semana, Salvini visitou um centro de acolhimento e foi informado sobre confusões envolvendo tunisianos. “A Tunísia é um país livre e democrático que não está exportando cavalheiros, mas frequentemente e com prazer exporta condenados”, disse.   

A Tunísia é uma das rotas para imigrantes clandestinos e refugiados que querem chegar à Europa, já que está a pouco mais de 100 quilômetros da ilha italiana de Lampedusa, no Mediterrâneo. “Não me parece que haja guerras, epidemias ou fome na Tunísia”, acrescentou Salvini.   

As declarações também chegaram no mesmo dia em que mais de 30 pessoas morreram no naufrágio de um barco clandestino no litoral tunisiano. “A Tunísia expressa seu profundo estupor pelas declarações do ministro do Interior italiano sobre o tema da imigração”, diz uma nota do Ministério das Relações Exteriores de Túnis.   

O comunicado ainda ressalta que as frases de Salvini “não refletem a cooperação entre os dois países” e indicam um “conhecimento incompleto dos vários mecanismos de coordenação entre os serviços tunisianos e italianos para enfrentar esse fenômeno”.   

Durante um evento nesta segunda em Roma, o ministro do Interior não entrou em polêmica e disse que está disponível a encontrar “o mais rápido possível” seu homólogo tunisiano, “para aumentar e melhorar a cooperação”. “Não quero entrar em outros méritos, mas cada um defende justamente suas posições”, acrescentou.   

Em 2018, os tunisianos lideram o ranking de migrantes forçados que mais entraram na Itália pelo Mediterrâneo, com 2.889 das 13.775 pessoas que concluíram a rota. Em seguida aparecem eritreus (2.228), sudaneses (1.066) e nigerianos (1.052). (ANSA)