Tuiuti mostra na Sapucaí semelhanças da diáspora africana no Brasil e em Cuba

Escola abre a terceira e última noite de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro

Mayara Lima, rainha da Tuiuti
Mayara Lima, rainha da Tuiuti Foto: Pilar Olivares/Reuters

O  Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso de Tuiuti abriu a terceira e última noite de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro.

Com o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, o desfile assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos mergulha nas semelhanças da diáspora africana em Cuba e no Brasil e na religiosidade afro-cubana.

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A letra do samba-enredo que será interpretada por Pixulé, nome artístico de Roosevelt Martins Gomes da Cunha, foi encomendado pela agremiação ao professor de história e compositor Luiz Antonio Simas, em parceria com Claudio Russo e Gustavo Clarão – que já fizeram outros sambas sob demanda para desfiles da Tuiuti.

Detalhe de carro da Tuiuti em desfile na Sapucaí

Detalhe de carro da Tuiuti em desfile na Sapucaí

A Paraíso de Tuiuti foi fundada em 1952 por sambistas remanescentes das escolas de samba extintas Unidos do Tuiuti e Paraíso das Baianas, e do Bloco dos Brotinhos – todas agremiações da comunidade do Morro do Tuiuti, no bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro.

O melhor resultado da Paraíso de Tuiuti foi o vice-campeonato do Grupo Especial, em 2018, com o enredo Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?. Desde 2017, a escola de samba de cores azul e amarelo disputa initerruptamente na elite do carnaval carioca.

A Tuiuti abriu a terceira e última noite de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro

A Tuiuti abriu a terceira e última noite de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro

Veja a letra do samba

Ibarabô, agô lonã
Olukumí
Iboru iboya ibosheshe
Canta Tuiuti!

Meu padrinho me falou
Cada um tem seu ori
O destino é professor
A raiz é Lucumí
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu irê para vida
Olodumarê criador
Espalhou axé e amor
No Ilê dos orixás
E o negro iniciado no segredo
Do reino de Olokun fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha

Babá moforibalé, babá moforibalé
Orunmilá Taladê, babá moforibalé
Eleguá
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer
Põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
Hoje o couro vai comer
Nas barbas de Havana

Ah! O ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o Idefá
Ah! A rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelê e no oponifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda
O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô

Com informações da Agência Brasil