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Trump volta à ONU sem avanços diplomáticos a comemorar

Trump volta à ONU sem avanços diplomáticos a comemorar

O presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 20 de setembro de 2019 - AFP/Arquivos

Donald Trump retorna a Nova York para o principal encontro anual da ONU, com seu estilo provocativo mas sem um grande avanço diplomático para alardear diante dos Estados Unidos e do mundo.

Irã, Coreia do Norte, Venezuela, Afeganistão: o autoproclamado mestre da negociação, com as atenções voltadas para as eleições presidenciais de 2020, luta por alcançar resultados concretos que possa exibir como prova de sucesso de seu método.

Qual será sua mensagem na 74ª sessão da Assembleia Geral da ONU? “Eu vou falar que os Estados Unidos são o maior país do mundo, nunca foi mais forte nem melhor”, revelou, ao resumir o que deve ser o discurso. E que “certamente tem um dos maiores presidentes da história”, completou.

No ano passado, o discurso de Trump na tribuna da Assembleia Geral da ONU provocou risadas quando ele afirmou que havia conquistado mais que qualquer um de seus antecessores.

O republicano, grande crítico do multilateralismo, concluiu sua estadia em Nova York com uma entrevista coletiva particularmente desarticulada, durante a qual citou Elton John, recordou George Washington, opinou sobre a inteligência das mulheres e fez comentários a respeito da fama.

– Nenhuma palavra sobre o clima –

Para sua terceira participação na reunião anual da ONU, Trump certamente permanecerá afastado de todas as iniciativas climáticas.

Na segunda-feira, quando mais de 100 governantes se reunirão para demonstrar uma ambição conjunta de reduzir as emissões dos gases do efeito estufa, o presidente americano, o único líder no mundo que retirou seu país do Acordo de Paris, falará sobre “a proteção da liberdade religiosa”.

Na ONU, Trump terá encontros separados com vários governantes, incluindo Imran Khan (Paquistão), Andrzej Duda (Polônia), Abdel Fateh Al Sisi (Egito), Moon Jae-in (Coreia do Sul), Narendra Modi (Índia), Boris Johnson (Reino Unido), Barham Saleh (Iraque) e Shinzo Abe (Japão).

A reunião de quarta-feira com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, será examinada com especial atenção por seu possível impacto nas próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Trump é acusado de ter pressionado o colega ucraniano a investigar o filho de seu rival democrata Joe Biden.

Mas certamente as declarações de Trump sobre o Irã, país sobre o qual enviou sinais contraditórios nas últimas semanas, entre ameaças de represálias militares e pedidos de “moderação”, serão as mais aguardadas.

Um encontro com o presidente iraniano, Hassan Rohani, uma reunião que Trump chegou a cogitar a ponto de não descartar uma redução das sanções para conseguir organizar o evento, parece, no entanto, pouco provável.

Os ataques de 14 de setembro a duas instalações de petróleo na Arábia Saudita, atribuídos por Washington a Teerã, mudaram o jogo.

– “Precisa de aliados sobre o Irã” –

O americano está em uma posição particularmente difícil. Uma resposta militar poderia desencadear uma escalada de consequências imprevisíveis. Mas a falta de resposta deixaria a região e um polo vital de energia à mercê de outros ataques.

O que é certo é que o 45º presidente americano, que há três meses desistiu no último momento de atacar objetivos na República Islâmica, parece relutante em usar a força nesta região do mundo, apesar de seus tuítes bélicos.

“Os iranianos entenderam a medida do homem e veem claramente sua relutância em vincular sua presidência a outro conflito no Oriente Médio no período prévio a sua campanha de reeleição”, disse Suzanne Maloney, da Brookings Institution.

No momento, Trump fez uma pausa e simplesmente intensificou as já pesadas sanções contra Teerã. Também anunciou o envio de reforços militares à região do Golfo.

Para Jon Alterman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, os iranianos estabeleceram uma “armadilha”. Ao pressionar este presidente, “que gosta de agir unilateralmente” para aumentar constantemente a pressão, “isolaram os Estados Unidos do resto do mundo” sobre este tema.

Mas, enfatiza, “o presidente realmente precisa de aliados sobre o Irã”. Os três dias de intensas negociações diplomáticas da próxima semana poderiam permitir a Trump, se encontrar o tom correto, se aproximar deles.