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Trump usa altura como arma política na campanha presidencial

Trump usa altura como arma política na campanha presidencial

Donald Trump e Michael Bloomberg, em 11 de setembro de 2016, em Nova York - AFP/Arquivos

Quando Donald Trump desdenha seus inimigos por sua estatura, usa sua altura como uma arma, seguindo uma máxima da política americana: os candidatos mais altos tendem a ganhar a Casa Branca.

Trump, que mede 1,90 metro (a depender da fonte dessa informação), não perde tempo desde que Michael Bloomberg começou a avançar nas pesquisas.

Dia sim, e outro também, zomba da baixa estatura do ex-prefeito de Nova York, na corrida pela indicação do Partido Democrata à Presidência, que mede em torno de 1,70m.

Em tuítes e entrevistas recentes, Tump apelida o magnata do setor de mídia de “Mini Mike”, chega a lhe dar até 10 centímetros a menos e afirma que o candidato pediu para ficar em cima de uma caixa nos debates democratas.

O presidente republicano já ironizou a estatura de vários congressistas americanos, como Adam Schiff, Marco Rubio e Bob Corker.

Trump parece ser muito consciente de que nos Estados Unidos a estatura (física) importa e está determinado a tirar proveito disso.

“Não é típico do que os presidentes fazem”, disse Gregg Murray, professor de Ciência Política da Universidade de Augusta, Geórgia, que estudou a incidência da estatura na decisão dos eleitores americanos.

– Mais alto, mais forte –

Olhem para trás e verão que os últimos inquilinos da Casa Branca medem todos pelo menos 1,80 m: Barack Obama; George W. Bush; seu pai, Bush sênio; Bill Clinton; e Ronald Reagan, apenas para citar alguns, conforme Murray.

De fato, os americanos estão tão preocupados com a estatura de seus líderes que, durante um dos debates republicanos à Presidência de 2016, o Google disse que a busca on-line mais frequente não foi sobre um tema de política, mas sobre a altura de Jeb Bush (1,90m, caso alguém também tenha interesse em saber).

A predileção por líderes mais altos – uma maior altura sugere mais força, especialmente em tempos de conflito, estima Murray – não se restringe aos Estados Unidos.

Os primeiros-ministros Shinzo Abe (Japão) e Benjamin Netanyahu (Israel) são mais altos do que a média em seus respectivos países.

Embora haja casos de líderes mais baixos, em geral os especialistas dizem que os mais altos têm vantagem tanto na política quanto em outros aspectos da vida.

“Há evidências esmagadoras de que as pessoas altas têm muitos mais chances de alcançar postos mais altos nas organizações” de qualquer país, disse Abraham Buunk, acadêmico holandês coautor de um estudo sobre a importância da estatura dos presidentes americanos.

“A vantagem dos candidatos mais altos se explica, fundamentalmente, pelas percepções associadas à estatura: os presidentes mais altos são qualificados pelos especialistas como ‘maiores’, com mais habilidades de liderança e de comunicação”, aponta o estudo.

– Mais altos tendem a se candidatar mais –

Nas eleições presidenciais realizadas nos Estados Unidos até 2012, o mais alto dos candidatos ganhou em 58% das vezes.

Segundo Murray, isso se deve, principalmente, ao fato de as pessoas mais altas se sentirem, em geral, mais atraídas pela candidatura à Casa Branca.

“Os homens altos são mais propensos a considerarem que estão qualificados para serem líderes e, portanto, são mais propensos a se candidatarem como líderes”, disse ele à AFP.

As mulheres, em geral mais baixas do que seus rivais homens, têm essa desvantagem incorporada, acrescentou Murray, o que lhes impede, de cara, de aparecerem como “fisicamente formidáveis”.

Nesta campanha, duas mulheres aspiram à indicação democrata. Elizabeth Warren mede pouco mais de 1,70m. Amy Klobuchar é vários centímetros mais baixa.

Em um debate em dezembro, Klobuchar brincou que James Madison, quarto presidente dos Estados Unidos, teve “um tamanho bom o suficiente para um presidente”. Ele media pouco mais de 1,60m.

A rival democrata de Trump na corrida de 2016, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, mede cerca de 1,65m.

Em um de seus debates, em determinado momento, Trump para atrás dela, em um gesto que teve mais de uma interpretação: para uns, um engraçadinho que queria monopolizar os holofotes; para outros, um assédio direto.

Essa estratégia nem sempre funciona. Basta olhar as fotos dos debates republicanos de 2016, nas quais Jeb Bush é claramente mais alto.