Os Estados Unidos anunciaram a suspensão de uma operação militar para escoltar navios no Estreito de Ormuz nesta terça-feira, 05 de maio, após o presidente Donald Trump alegar progresso em um acordo com o Irã.
A decisão ocorre em meio a novos ataques e escaramuças na região, que ameaçam o frágil cessar-fogo entre as potências, com EUA e Irã trocando acusações de violações e agressões contra embarcações comerciais e forças militares.
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O que aconteceu
A região do Estreito de Ormuz permanece em tensão, com os EUA suspendendo uma operação militar para escoltar navios, mas mantendo o bloqueio naval ao Irã.
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã é ameaçado por novos ataques mútuos a embarcações e alvos terrestres, com cada lado acusando o outro de violações.
Líderes europeus e países da região, como Emirados Árabes Unidos, condenam as ações iranianas e pedem a redução das tensões e o fim do bloqueio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (05/05) a suspensão, a pedido do Paquistão, da operação militar que consiste em garantir militarmente o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz. A suspensão visa tentar alcançar um acordo definitivo com o Irã.
Trump escreveu em sua rede social Truth Social que a suspensão da ação militar, iniciada no último domingo, se deve ao “progresso considerável rumo a um acordo” com o governo iraniano, sem dar mais detalhes a respeito.
O presidente americano informou que o bloqueio naval ao Irã permanecerá vigente e que a suspensão dessa operação específica tem como objetivo determinar se o acordo “pode ser concretizado e assinado”.
As forças americanas do Comando Central (Centcom) haviam conseguido assegurar a passagem de poucos navios através do estreito. Além disso, ocorreram repetidos ataques na região envolvendo pequenas embarcações e drones, alguns dos quais os Emirados Árabes Unidos atribuíram ao Irã. Segundo fontes militares, citadas pela imprensa local, os navios americanos viram-se obrigados a executar manobras defensivas para garantir a navegação durante a operação para escoltar navios mercantes.
Fim da operação americana
Horas antes da declaração de Trump, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a ofensiva contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro “terminou” e que uma nova fase foi aberta com uma operação “defensiva” destinada a facilitar a navegação pelo Estreito de Ormuz. “A operação “Fúria Épica” terminou. Tal como o presidente informou ao Congresso, concluímos essa etapa”, declarou Rubio em entrevista coletiva na Casa Branca.
Irã nega ataques a vizinhos
O Irã negou nesta terça-feira (05/05) ter atacado os Emirados Árabes Unidos (EAU) nos últimos dias, horas depois de o país do Golfo relatar uma segunda rodada de ataques iranianos com mísseis e drones. Os disparos foram os primeiros contra os Emirados desde que o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos entrou em vigor no mês passado. Um dos projéteis teria atingido um importante terminal de transporte de petróleo na segunda-feira, provocando um incêndio.
Apesar de negar responsabilidade, o comando militar iraniano Khatam al-Anbiya afirmou em comunicado que os Emirados sofreriam uma “resposta esmagadora” caso realizassem alguma ação militar contra o Irã. Os EAU são um dos principais aliados dos Estados Unidos e um país árabe com laços com Israel. Sua infraestrutura petrolífera e a proximidade geográfica com o Irã fizeram do país um dos principais alvos de ataques iranianos desde o início da guerra.
Cessar-fogo: a trégua se mantém?
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta terça-feira (05/05) que o cessar-fogo com Teerã não havia terminado, apesar das escaramuças entre os Estados Unidos e o Irã no Golfo Pérsico em meio à disputa sobre o controle do Estreito de Ormuz.
Hegseth disse que os EUA haviam garantido com sucesso uma rota através do estreito e que centenas de navios comerciais estavam se preparando para atravessar, enquanto Washington busca romper o bloqueio que o Irã exerce em uma das principais vias do transporte marítimo mundial desde o início do conflito, em fevereiro. “Sabemos que os iranianos estão constrangidos com esse fato. Eles disseram que controlam o estreito. Não controlam”, disse Hegseth em coletiva de imprensa no Pentágono.
Pentágono detalha incidentes no Golfo
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, afirmou que o Irã atacou o Omã nesta segunda-feira e realizou três ataques contra os Emirados Árabes Unidos (EAU), antes de acrescentar que, pelo menos até o momento, a situação estava “mais tranquila”.
Caine disse que desde o anúncio do cessar-fogo, em 7 de abril, o Irã disparou nove vezes contra embarcações comerciais e apreendeu dois navios de transporte de contêineres, e acrescentou que os iranianos atacaram as forças americanas mais de dez vezes. Os ataques, no entanto, ficaram “abaixo do limite necessário para reiniciar grandes operações de combate neste momento”, afirmou o general.
Questionado se o cessar-fogo com o Irã ainda estava em vigor, Hegseth disse que a trégua não acabou. “Dissemos que nos defenderíamos e nos defenderíamos agressivamente, e absolutamente o fizemos. O Irã sabe disso e, em última análise, o presidente [Donald Trump] pode decidir se algo escalar para uma violação do cessar-fogo”, disse.
As Forças Armadas dos EUA afirmam ter afundado seis embarcações iranianas e interceptado mísseis de cruzeiro e drones iranianos, após Trump enviar a Marinha para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz em uma operação iniciada um dia antes, denominada Projeto Liberdade. Diversos navios mercantes no Golfo relataram explosões ou incêndios nesta segunda-feira, no primeiro dia da operação.
Acusações sobre vítimas civis
Os militares do Irã acusaram nesta terça-feira (05/05) os Estados Unidos de serem responsáveis pela morte de cinco civis num ataque contra dois cargueiros na costa de Omã, após Washington afirmar ter destruído lanchas rápidas iranianas.
Uma fonte militar iraniana, citada pela agência de notícias estatal Tasnim, relatou que, “após a falsa afirmação do Exército americano” sobre a destruição de lanchas rápidas iranianas, foram realizadas investigações com fontes locais e concluiu-se que nenhum navio de combate da Guarda Revolucionária Islâmica teria sido atingido.
A mesma fonte assegurou que dois pequenos cargueiros com civis a bordo, que navegavam de Khasab, na costa de Omã, em direção ao litoral iraniano, foram atacados pelos EUA, resultando em cinco mortos, que o meio de comunicação afirma serem civis e não militares.
Na segunda-feira, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) afirmou ter facilitado o trânsito de dois navios mercantes pelo Estreito de Ormuz, no âmbito da operação anunciada para escoltar navios por esta via, e ter destruído seis lanchas rápidas iranianas que, segundo asseguraram, tentaram impedir sua passagem.
Líderes europeus condenam ataques
O chanceler alemão, Friedrich Merz, instou o Irã a retornar às negociações de paz após os Emirados Árabes Unidos (EAU) acusarem Teerã de lançar ataques com mísseis e drones contra um de seus portos. O Ministério da Defesa dos EAU afirmou que suas defesas aéreas interceptaram um total de 12 mísseis balísticos, três mísseis de cruzeiro e quatro drones nos primeiros ataques iranianos contra o país desde o início do cessar-fogo, há quase quatro semanas.
“Teerã deve retornar à mesa de negociações e parar de manter a região e o mundo como reféns: o bloqueio do Estreito de Ormuz deve terminar”, escreveu Merz em mensagem divulgada nesta segunda-feira (04/05) nas redes sociais. “Condenamos veementemente esses ataques. Nossa solidariedade está com o povo dos Emirados Árabes Unidos e com nossos parceiros na região.”
Merz também reiterou sua posição de que “Teerã não deve adquirir uma arma nuclear” e alertou que “não deve haver mais ameaças ou ataques contra nossos parceiros”.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também pediu a redução das tensões no Oriente Médio. “O Reino Unido condena os ataques com drones e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos”, disse o premiê. “A escalada deve cessar. O Irã precisa se engajar de forma significativa em negociações para garantir que o cessar-fogo no Oriente Médio seja duradouro e que uma solução diplomática de longo prazo seja alcançada.”
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os ataques iranianos contra infraestruturas civis nos Emirados Árabes Unidos são “injustificados e inaceitáveis”.
Novos ataques ameaçam cessar-fogo
A frágil trégua no Oriente Médio estava sob ameaça nesta terça-feira (05/04), após os Estados Unidos e o Irã lançarem novos ataques em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. As Forças Armadas americanas anunciaram nesta segunda-feira a destruição de seis embarcações iranianas, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito em uma campanha que ele chamou de Projeto Liberdade.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou em publicação nas redes sociais nesta terça-feira que a segurança do tráfego marítimo estava ameaçada, acusando os EUA e seus aliados de violarem o cessar-fogo iniciado há quase quatro semanas. Vários navios mercantes na região do Golfo Pérsico relataram explosões ou incêndios nesta segunda-feira. O Estreito de Ormuz, uma via essencial para o abastecimento global de petróleo, fertilizantes e outras commodities, está praticamente fechado desde que os EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irã em 28 de fevereiro.
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) relataram nesta segunda-feira que ataques iranianos com drones e mísseis causaram um incêndio no porto petrolífero de Fujairah. O país afirmou que os ataques iranianos representam uma grave escalada no conflito e que se reserva o direito de reagir às agressões. Fujairah está localizada fora do estreito, sendo uma das poucas rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio que não exigem a passagem pelo Estreito de Ormuz.
As autoridades iranianas divulgaram um mapa do que afirmaram ser uma área marítima expandida sob seu controle, que se estende muito além do estreito, incluindo longos trechos do litoral dos Emirados Árabes Unidos. O ministro do Exterior do Irã, Abbas Araqchi, disse que os eventos desta segunda-feira mostram que não há solução militar para a crise. Ele afirmou que as negociações de paz estavam progredindo com a mediação do Paquistão e alertou os EUA e os Emirados Árabes Unidos para o risco de se envolverem em um “atoleiro”.
Teerã, no entanto, não confirmou nem negou os ataques aos Emirados Árabes Unidos. A emissora de televisão estatal iraniana citou um oficial militar dizendo que o Irã “não tinha planos” de atacar o país ou qualquer um de seus campos de petróleo. “O incidente resultou do aventureirismo militar dos EUA para criar uma passagem ilegal”, disse o oficial, que não foi identificado pela emissora. O Irã também afirmou nesta segunda-feira ter disparado contra um navio de guerra dos EUA que se aproximava do estreito, forçando a embarcação a recuar. Autoridades iranianas descreveram posteriormente o disparo como tiros de advertência.
Tensões no Golfo: países registram ataques
As tensões no Golfo voltaram a escalar pela primeira vez em quase quatro semanas de cessar-fogo na guerra entre os EUA e o Irã. Nesta segunda-feira (04/05), os Emirados Árabes Unidos relataram que suas defesas aéreas interceptaram ao menos 12 mísseis balísticos, três mísseis de cruzeiro e quatro drones iranianos. Moradores de várias regiões foram orientados a procurar abrigo.
Segundo a agência de notícias alemã DPA, o Irã confirmou um ataque a instalações de petróleo nos Emirados Árabes Unidos, em reação ao que descreve como uma “passagem ilegal” de navios de guerra dos Estados Unidos pelo Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter lançado uma operação para garantir o tráfego marítimo na região, com contratorpedeiros navais entrando no Golfo e dois navios comerciais de bandeira americana deixando a área.
Também na segunda-feira, os Estados Unidos disseram ter afundado seis pequenos barcos iranianos, o que Teerã nega. Trump afirma que a ação ocorreu após suposta ofensiva contra dois navios neutros no conflito, incluindo um cargueiro sul-coreano. A Guarda Revolucionária do Irã ainda afirmou ter disparado vários mísseis como advertência contra navios de guerra americanos operando ao largo da costa sul, enquanto a mídia iraniana informou que dois mísseis teriam atingido uma embarcação dos EUA — alegação negada por Washington.
Os Emirados Árabes Unidos também relataram um ataque separado com drone iraniano a um petroleiro operado pela estatal de energia ADNOC, sem registro de vítimas. Já a Coreia do Sul analisa relatos de que uma embarcação ligada a uma empresa de navegação sul-coreana havia sido atacada na região. Em Omã, um prédio residencial em Bukha foi atingido e trabalhadores estrangeiros ficaram feridos. Não ficou imediatamente claro quem foi o responsável.
As negociações entre Irã e Estados Unidos para transformar a trégua, iniciada em 8 de abril, em um acordo permanente estão paralisadas, diante de divergências sobre as ambições nucleares do Irã e o controle do Estreito de Ormuz.
Ameaças e advertências dos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (04/05) que o Irã e suas forças serão “varridos da face da Terra” se navios americanos forem atacados no Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos executam o que Trump chama de “Projeto Liberdade” para forçar a reabertura da passagem marítima. Ao longo do dia, mísseis iranianos voltaram a ser disparados em direção aos Emirados Árabes Unidos na primeira ofensiva desde o início do cessar-fogo. Dois navios cargueiros relataram explosões na região.
Trump fez a declaração à Fox News, após ser perguntado sobre os ataques de Teerã. Anteriormente, o presidente foi criticado por declarações semelhantes, quando disse, por exemplo, que uma civilização inteira morreria em seus ataques.
Mercado de petróleo reage à instabilidade
O mercado de petróleo registra mais um dia de oscilações bruscas após relatos de ataques com drones nos Emirados Árabes Unidos. O Brent ultrapassou os US$ 115 por barril pouco depois das 13h (horário de Brasília), após relatos de que o complexo petrolífero de Fujairah havia sido atacado, registrando alta de mais de 5% no dia.
Os Emirados Árabes Unidos afirmam ter interceptado nesta segunda-feira (04/05) três mísseis disparados do Irã sobre suas águas territoriais. Um quarto teria caído no mar, informou o Ministério da Defesa do país do Golfo em uma publicação no Facebook. A notícia surge após autoridades dos Emirados Árabes Unidos terem relatado nesta segunda-feira um incêndio na Zona Industrial de Petróleo de Fujairah, em decorrência do que descreveram como um ataque com drones originado no Irã. “Esses ataques constituem uma escalada perigosa e uma transgressão inaceitável”, diz um comunicado do ministério.