Trump sai do hospital para acenar para apoiadores e é criticado

WASHINGTON, 5 OUT (ANSA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou apoiadores que estão do lado de fora do hospital militar Walter Reed neste domingo (04), mesmo durante o tratamento para o novo coronavírus (Sars-CoV-2).   

Em um SUV do Serviço Secreto, o republicano apareceu sentado no banco de trás, usando máscara e dando uma volta no quarteirão. A ação, no entanto, vem gerando inúmeras críticas nos Estados Unidos porque colocou em risco a vida dos agentes, já que além de ser a prova de balas, os carros oficiais também são vedados para impedir ataques com agentes químicos. Ou seja, eles podem ter sido contaminados pelo próprio presidente.   

Pouco antes de fazer o polêmico passeio, o presidente usou as redes sociais para dizer que “faria uma surpresa” para seus apoiadores, sem avisar a imprensa que cobre a Casa Branca, e que contrair o novo coronavírus “era realmente ir à escola”.   

“Essa escola é real, não é uma escola do tipo de ‘vamos ler livros’. Eu aprendi, entendi, e isso foi muito interessante”, disse nas imagens.   

“A irresponsabilidade de Trump parece sem limites. Fazer com que os agentes do Serviço Secreto dirijam com um paciente de Covid-19, com as janelas fechadas, os expõe de modo desnecessário a um risco de infecção. E para quê? Um truque publicitário. É vergonhoso. Esses agentes já arriscam sua vida diariamente”, escreveu em sua conta no Twitter o presidente do Departamento de Ética Médica da Universidade da Pensilvânia, Zeke Emanuel.   

Por sua vez, a Casa Branca informou que todas as precauções “foram adotadas para proteger Trump e a equipe, incluindo os agentes”. “A sua saída foi autorizada pela equipe médica como segura”, disse ainda em nota.   

No entanto, pacientes que lutam contra a Covid-19 precisam ficar em áreas isoladas dos hospitais para, justamente, diminuir o risco de infecção de quem está próximo. Inclusive, em todas as partes do mundo, quem está hospitalizado sequer pode receber visitas de familiares, dado o risco de contágio.   

Trump foi internado na última sexta-feira (2) após apresentar sintomas mais fortes da doença. As informações da equipe médica que o acompanha, inclusive, é considerada bastante confusa.   

Primeiro, os médicos informaram que o mandatário não precisou de oxigênio para respirar, depois, voltaram atrás e disseram que ele precisou usar o método tanto na sexta como no sábado (3).   

Outra informação relevante foi sobre o uso de dexametasona, que é indicada apenas para casos graves da Covid-19. No entanto, o último boletim médico diz que Trump apresenta melhora contínua e que ele pode receber alta ainda nesta segunda-feira (6).   

– Polêmica sobre teste: A mídia norte-americana informou neste domingo (4) que o presidente havia feito um teste rápido para a detecção do Sars-CoV-2 na manhã de quinta-feira, mas não revelou nada sobre o exame até que o teste mais completo, RT-PCR, confirmasse o resultado.   

O teste teria sido feito antes dele participar de uma entrevista para a emissora conservador “Fox News”, na conversa em que ele confirmou que a sua assessora, Hope Hicks, havia testado positivo para o vírus.   

Trump só confirmou que havia contraído o novo coronavírus através de sua conta no Twitter, no fim da noite daquele dia.   

(ANSA).