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Trump registrou sua marca em Cuba em 2008 para construir hotéis

Trump registrou sua marca em Cuba em 2008 para construir hotéis

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa ao deixar a Casa Branca em Washington, DC, em 22 de setembro de 2020 - AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registrou sua marca em Cuba em 2008 para construir hotéis, cassinos e campos de golfe. É o que afirmou a imprensa local de Miami nesta terça-feira (22), que identificou documentos disponíveis online de um departamento estatal cubano.

O presidente, que baseia sua campanha eleitoral pela reeleição na Flórida em um duro discurso anti-socialista, registrou a marca “Trump” em Cuba para dezenas de empresas e serviços vinculados ao mercado imobiliário, hotéis, restaurantes e eventos esportivos e de beleza, apurou o jornal Miami Herald.

Uma pesquisa no site do Gabinete Cubano de Propriedade Industrial mostra, na guia “Marcas”, o pedido de registro em nome de Donald J. Trump no endereço de Nova York da Trump Organization. A solicitação foi realizada em 2008 e aprovada em 2010. Ela expirou em 2018, dois anos após Trump ter conquistado a presidência.

Segundo o Herald, o magnata do mercado imobiliário não violou o embargo que Washington impõe a Havana, mas em 1999 havia garantido em um discurso perante a Fundação Nacional Cubano-Americana que não faria negócios com Cuba enquanto Fidel Castro ou seus seguidores estivessem no poder.

Ao falar de negócios que lhe foram oferecidos na ilha comunista, disse na época: “Eu os rejeitei, argumentando que irei quando Cuba for livre”. E adicionou: “investir dinheiro em Cuba agora não vai para o povo cubano. Vai para o bolso de Fidel Castro”.

O presidente anterior, Barack Obama, havia iniciado uma reaproximação comercial e diplomática com Cuba que culminou com uma visita à ilha em 2016, o que foi interpretado como uma traição por cubanos anticastristas na Flórida.

Desde que assumiu o cargo, Trump endureceu a postura de Washington contra a ilha, o que lhe rendeu o apoio incondicional da comunidade cubano-americana, importante grupo eleitoral que pode definir o voto no estado.

Em resposta à reportagem do Herald, o candidato democrata à presidência, Joe Biden, afirmou em nota que “é claro que o presidente Trump não se preocupa com a liberdade do povo cubano, ele só tem interesse em si mesmo, mesmo que isso signifique fazer negócios com os Castro”.

A noção de que uma vitória de Biden levaria o país por um caminho socialista é um dos principais argumentos da campanha de Trump para atrair o voto dos latinos na Flórida.

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