Economia

Trump reduz o tom das críticas no início do G20

Trump reduz o tom das críticas no início do G20

Os líderes do G20 posam para a fotografia oficial na abertura da reunião de cúpula em Osaka - POOL/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diminuiu o tom das críticas aos sócios comerciais na abertura do encontro de cúpula do G20 em Osaka, onde deve se reunir com o colega chinês Xi Jinping para tentar frear a guerra comercial entre as duas potências.

Depois de criticar a política comercial da China, da Índia e da Alemanha, país que acusou de estar “em dívida” por não contribuir de maneira suficiente ao orçamento da Otan, o americano fez uma de suas habituais mudanças de tom nas primeiras reuniões bilaterais em Osaka.

“É uma pessoa fantástica, uma mulher fantástica e estou feliz de tê-la como amiga”, afirmou em um encontro bilateral com a chanceler Angela Merkel, que, por sua vez, não falou sobre seus recentes tremores em público, que levantaram dúvidas sobre seu estado de saúde.

Sobre a crise no Irã, Trump, que há alguns dias afirmou que uma eventual guerra “duraria pouco”, declarou nesta sexta-feira que “não há pressa” para resolver o conflito.

“Temos muito tempo. Não há pressa, pode levar seu tempo”, disse Trump, uma questão que também abordou com Vladimir Putin em outra de suas reuniões bilaterais da jornada.

Neste encontro, ele não hesitou em elogiar o que chamou de “ótimas relações” com o presidente russo e inclusive se permitiu brincar sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016 que o levaram ao poder.

“Não se intrometa na eleição, presidente, não se intrometa”, disse Trump com um grande sorriso, ao ser questionado se pediria a Putin que não interferisse nas eleições de 2020.

Putin não respondeu à piada, mas deu um sorriso após o comentário de Trump.

Os líderes das 20 grandes potências econômicas do planeta estão em Osaka, a segunda maior cidade do Japão, para a reunião anual do grupo que representa 85% do PIB do planeta.

Um encontro que seu anfitrião, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, espera terminar com uma “bonita harmonia”.

– Guerra comercial –

Na área econômica, os olhares estão voltados para a reunião de sábado entre Trump e Xi, na qual os líderes das maiores economias do planeta devem abordar a guerra comercial que, segundo analistas e instituições internacionais, pode ter um impacto negativo para o crescimento global.

Ebrahim Rahbari, analista da CitiFX, calcula 60% de probabilidades de um acordo para retomar as negociações. O Wall Street Journal informou que a China impõe como condição para sentar à mesa que o governo dos Estados Unidos retire as sanções contra a gigante tecnológica Huawei.

O duelo entre Washington e Pequim pode ofuscar a agenda oficial do fórum, em particular a questão climática, com posições conflitantes entre os americanos, que não desejam a inclusão do tema no comunicado final, e os sócios.

– Bolsonaro, um “homem especial” .

A sexta-feira também foi muito intensa para o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que se reuniu com Donald Trump, de quem se declarou “admirador”.

Os dois demonstraram uma grande sintonia e o americano chamou Bolsonaro de “homem especial”, “muito amado pelo povo do Brasil”.

O presidente também teve um encontro informal com o presidente francês Emmanuel Macron, que poucas horas antes havia criticado o brasileiro por sua política ambiental e por sua suposta intenção, que Bolsonaro nega, de abandonar o acordo de Paris sobre o clima, uma das grandes questões da cúpula.

Mas o encontro finalmente aconteceu e foi “amistoso”, de acordo com o porta-voz do governo brasileiro, e os dois também falaram sobre o ambicioso tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul que, após anos de conversações, está na fase final de negociações intensas em Bruxelas.