Trump presta depoimento em processo por fraude de US$ 250 mi

NOVA YORK, 6 NOV (ANSA) – O ex-presidente americano Donald Trump foi ao tribunal em Manhattan, em Nova York, neste segunda-feira (6), prestar depoimento no caso civil de fraude familiar no valor de US$ 250 milhões (R$ 1,2 bi na cotação atual). Ele e seus filhos, Donald Jr. e Eric, são acusados de inflar os ativos da Trump Organization.   

Antes da oitiva, Trump classificou o processo como “uma guerra política”, uma “situação muito injusta”, que ocorre “em países do terceiro mundo ou repúblicas de bananas”. O magnata acusou o promotor de ser “racista” e mencionou as últimas pesquisas que o mostram à frente de Joe Biden em alguns estados-chave.   

Também fora do tribunal, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, disse que Donald Trump “repetidamente e constantemente distorceu e inflou o valor de seus ativos”: “Mas, no final, a única coisa que importa são os fatos e os números, meus amigos, os números não mentem”.   

Antes da deposição, o juiz nova-iorquino Arthur Engoron ordenou que Donald Trump respondesse às perguntas e não fizesse discursos.   

“Tornei-me presidente graças à minha marca”, defendeu-se o ex-presidente. Ele argumentou que, se quisesse inflar seu patrimônio em relatórios financeiros, poderia simplesmente ter usado seu nome. “O ativo mais valioso é o valor da marca”, afirmou.   

“Se você olhar para as empresas, o valor da marca é uma parte muito importante do valor do patrimônio da empresa. Se eu quisesse fortalecer uma declaração financeira, teria adicionado o valor da marca e a teria aumentado em dezenas de milhões de dólares. A marca é um recurso”, continuou, citando exemplos da Coca-Cola e de outras grandes empresas, além de se vangloriar de vender “livros em números incríveis graças à marca”.   

Ele e o juiz discutiram diversas vezes. Engoron levantou a voz para pedir que os advogados se sentassem e “controlassem” o cliente, ameaçando dispensá-lo da deposição por seu comportamento. “Isso não é um comício político, é uma sala de tribunal”, advertiu.   

Pouco antes, Trump tinha atacado Engoron, afirmando ter “certeza de que ele decidirá contra mim porque sempre decidiu contra mim”. (ANSA).