O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça nesta sexta-feira, 4 de setembro, suspender as trocas comerciais com nações que mantêm déficit com Washington caso o Federal Reserve (FED), o banco central americano, não reduza as taxas de juros, atualmente entre 3,50% e 3,75% ao ano. A declaração do republicano intensifica a pressão sobre a instituição monetária em meio a dados econômicos positivos e críticas históricas à sua independência.
- Donald Trump exige que o Federal Reserve (FED) corte as taxas de juros para evitar a suspensão de trocas comerciais com países deficitários.
- A pressão do presidente americano ocorre após a divulgação de dados robustos do mercado de trabalho dos EUA em agosto, com a criação de 162 mil vagas.
- A relação entre Trump e o banco central é historicamente marcada por atritos, com o ex-mandatário defendendo que as decisões de política monetária se alinhem às prioridades da Casa Branca.
Em sua rede social Truth, Trump foi explícito ao declarar sua intenção de usar prerrogativas presidenciais para forçar a diminuição dos custos de empréstimo. “Baixem os juros ou vou parar de negociar com os países com os quais temos déficit, um poder que a Suprema Corte reconheceu como direito absoluto do presidente. É melhor do que tarifas!”, escreveu Donald Trump.
O ex-presidente criticou diretamente a postura do conselho do FED, que está sob a liderança de Kevin Warsh desde maio. “O conselho do FED, com seu novo grande líder, deve agir com inteligência: sejam patriotas de vez em quando. As taxas de juros elevadas colocam os Estados Unidos em uma posição de desvantagem extremamente injusta, e não vou permitir que isso aconteça”, acrescentou o mandatário.
Por que Trump pressiona o FED?
A ofensiva de Trump foi reforçada logo após a divulgação de um relatório sobre o mercado de trabalho norte-americano em agosto. O documento apontou a criação de 162 mil vagas, um resultado que superou significativamente as projeções dos analistas, que esperavam cerca de 55 mil novos postos de trabalho. A taxa de desemprego se manteve em 4,1%, em linha com as expectativas do mercado.
Para Trump, esses números reforçam a necessidade de taxas de juros mais baixas, contrariando a lógica tradicional de que um mercado de trabalho aquecido pode levar a pressões inflacionárias e, consequentemente, a uma política monetária mais restritiva. “Acabam de ser anunciados excelentes dados de emprego: superaram todas as estimativas (exceto a minha!) em duas ou três vezes… e vocês ainda não viram nada! Cortem os juros, porque os Estados Unidos são muito mais sólidos do que há pouco tempo”, afirmou ele.
O ex-presidente defende uma política de juros extremamente baixos, comparável aos períodos de prosperidade econômica. “Um país forte significa juros mais baixos. É muito simples! Deveríamos ter os juros mais baixos do mundo, como nos velhos tempos”, declarou Trump, reiterando sua visão de que o FED deveria ser um instrumento para fomentar o crescimento econômico segundo os ditames da Casa Branca.
Atritos históricos e a independência do banco central
A relação entre Donald Trump e o Federal Reserve tem sido marcada por frequentes atritos desde o seu primeiro mandato. O ex-presidente tem um histórico de rejeitar a independência do banco central, defendendo publicamente que as decisões de política monetária deveriam estar alinhadas diretamente com as prioridades e interesses da administração presidencial, em vez de serem tomadas com base em critérios técnicos e de estabilidade econômica.
A nomeação de Kevin Warsh para a liderança do FED em maio, feita pelo próprio Trump, não parece ter mitigado a tensão. Pelo contrário, as recentes declarações do ex-presidente indicam que sua percepção sobre a necessidade de intervenção na política monetária permanece inalterada, independentemente de quem ocupe a presidência da instituição. A insistência de Trump na redução dos juros, mesmo diante de um cenário de dados de emprego positivos, sublinha a sua visão de um FED subserviente aos objetivos da Casa Branca.
Da IstoÉ com ANSA.
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