Trump leva sua campanha pró-muro à cidade fronteiriça de El Paso

Trump leva sua campanha pró-muro à cidade fronteiriça de El Paso

Presidente americano Donald Trump na Casa Branca em 8 de fevereiro de 2019 - AFP/Arquivos

O presidente Donald Trump leva nesta segunda-feira (11) sua campanha a favor do muro na fronteira com o México à cidade fronteiriça de El Paso, quatro dias antes de acabar o prazo o financiamento do orçamento nacional.

“Nos dirigiremos a El Paso muito em breve. Um grande discurso sobre segurança fronteiriça e muito mais nesta noite. Uma tremenda multidão! Nos vemos em breve”, tuitou Trump.

O presidente, que realizará um comício de estilo eleitoral em El Paso, considera que os imigrantes ilegais representam um risco à segurança nacional para os Estados Unidos e que só podem ser freados ampliando as barreiras existentes.

Para respaldar seu argumento, Trump alertou sobre a entrada de estupradores e traficantes de pessoas no país, uma mensagem que os críticos consideram abertamente xenófoba e baseado em informações manipuladas.

Trump escolheu El Paso por ser um local onde, historicamente, os muros impediram a entrada descontrolada de delinquentes vindos do México, nas palavras de Trump, transformando a cidade em um modelo do que pode acontecer em outros pontos da fronteira.

Muito perto dali, a estrela democrata em ascensão, Beto O’Rourke, possível rival de Trump em 2020, celebrará seu próprio comício, para o qual se espera uma mensagem completamente oposta.

O’Rourke, ex-legislador que em novembro quase venceu o republicano Ted Cruz na disputa pela vaga do Texas no Senado, é de El Paso.

“Enquanto alguns tentam alimentar o medo e a paranoia, difundir mentiras e uma narrativa falsa sobre a fronteira EUA-México, demandando um muro de 3,2 mil quilômetros ao longo da mesma, em uma época de segurança recorde, El Paso se unirá para uma marcha e celebração que traga a verdade”, afirmou o gabinete de O’Rourke.

Pero Trump desconsiderou o impacto de O’Rourke e disse na Casa Branca que uma pequena multidão assistiria ao ato democrata, embora tenha se informado que 75.000 pessoas foram assistir ao comício em um local que tem capacidade para 8.000.

– Congresso dividido –

Desde sua campanha eleitoral, em 2016, Trump defende a construção de um muro fronteiriço. Contudo, desde que assumiu seu cargo, em 2017, não conseguiu convencer o Congresso a financiar sua construção.

“Esta noite, o presidente se unirá a milhões de americanos que entendem que um muro na fronteira sul é essencial para a segurança” da região, disse o chefe da campanha eleitoral para 2020, Brad Parscale, em um comunicado.

“O exemplo de El Paso mostra que só com uma barreira física podemos deter o fluxo de imigração ilegal, drogas e delitos”, disse.

No entanto, o prefeito da cidade, Dee Margo, negou que a construção de um muro tenha mudado em alguma coisa a segurança dos moradores de El Paso.

“Não é realmente assim”, disse Margo à AFP. “Estávamos a salvo antes e estivemos depois”, acrescentou.

Em dezembro, a disputa orçamentária entre o presidente republicado e os congressistas democratas levou a um fechamento parcial do governo de cinco semanas que deixou 800.000 funcionários públicos federais sem receber seu salário. Os democratas se recusam a financiar o muro, considerado ineficaz e “imoral”.

Diante dos efeitos de 35 dias de fechamento parcial, Trump cedeu no fim de janeiro e liberou fundos para o governo funcionar durante três semanas. Agora, o Congresso tem até sexta-feira para oferecer o financiamento ao muro, ou então Trump promete um novo “shutdown”.

O presidente quer 5,7 bilhões de dólares para o projeto, que é uma de suas promessas de campanha.

Tanto democratas, que controlam a Câmara dos Representantes, como os republicanos de Trump, que têm a maioria no Senado, falaram de um revés no fim de semana, quando as duas partes debateram sobre quanto dinheiro oferecer e em que exatamente gastá-lo.

Trump pode contra-atacar com um novo “shutdown” ou declarar estado de emergência nacional, o que lhe dá poder para usar fundos das Forças Armadas – embora se preveja que esta opção leve a uma disputa judicial e novos confrontos políticos.

“Fará tudo que legalmente puder para proteger a fronteira”, disse no domingo o chefe de gabinete interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, à NBC.