Trump diz que presidente do Irã pediu cessar-fogo

Em escalada de tensão, presidente americano afirma que Irã solicitou trégua, mas mantém ofensiva militar e critica falta de apoio de aliados europeus

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca 31 de março de 2026
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca 31 de março de 2026 Foto: REUTERS/Evan Vucci

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 1º, que o governo do Irã solicitou um cessar-fogo formal aos americanos. A declaração, publicada em sua plataforma Truth Social, impõe condições rígidas para o fim das hostilidades, vinculando qualquer negociação à livre circulação de navios no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o escoamento global de petróleo.

“O presidente do Irã acaba de pedir um cessar-fogo aos Estados Unidos da América!”, escreveu Trump. O republicano, contudo, foi enfático ao manter a postura hostil até que as exigências de Washington sejam atendidas. “Consideraremos o pedido quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desimpedido. Até lá, vamos pulverizar o Irã, ou, como se diz, mandá-lo de volta à Idade da Pedra”, completou.

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Em entrevista à “Reuters”, o mandatário indicou que a presença de tropas em solo iraniano pode ser breve, sinalizando uma saída “muito rápida” da região. Entretanto, ressaltou que as forças americanas permanecem prontas para retornar para realizar “ataques pontuais” caso considerem necessário.

Críticas à Otan e aliança sob risco

A crise no Oriente Médio provocou também uma ruptura retórica severa entre a Casa Branca e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em entrevista ao jornal britânico “Daily Telegraph”, Trump afirmou que está considerando seriamente retirar os EUA da aliança militar. A insatisfação decorre da falta de apoio das nações aliadas às ações bélicas americanas contra o Irã.

O presidente classificou a coalizão como um “tigre de papel” e declarou que a decisão de deixar o pacto de defesa está “além de reconsideração”. Segundo o líder americano, a suposta fragilidade da instituição é de conhecimento, inclusive, do presidente russo, Vladimir Putin. “Nunca fui influenciado pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel”, afirmou.

A possibilidade de saída da Otan e a continuidade dos bombardeios devem ser temas centrais de um pronunciamento à nação previsto para ocorrer ainda nesta quarta-feira. O cenário de instabilidade impacta diretamente os mercados globais e a segurança diplomática no Golfo Pérsico.

* Com informações da AFP e Reuters