Trump instala estátua de Colombo na Casa Branca e reaviva polêmica de legados

Trump reinstala estátua de Cristóvão Colombo, reavivando o debate sobre legados coloniais e símbolos em meio a protestos raciais

Trump instala estátua de Colombo na Casa Branca e reaviva polêmica de legados

A Casa Branca, sob a gestão do presidente Donald Trump, instalou uma estátua do explorador Cristóvão Colombo em seus jardins. A iniciativa, que visa reconhecer a controversa figura histórica, é uma réplica de um monumento derrubado em Baltimore durante os protestos de 2020 contra o racismo e reacende debates sobre o legado colonial e os símbolos históricos nos Estados Unidos.

O que aconteceu

  • A Casa Branca instalou uma estátua de Cristóvão Colombo em seus jardins, uma réplica de monumento derrubado em 2020.
  • O presidente Donald Trump defende Colombo como um “herói americano original”, ignorando as críticas sobre seu papel na colonização e exploração das Américas.
  • A iniciativa reacende o debate sobre a manutenção de estátuas de figuras históricas controversas, como Colombo e Caesar Rodney, em meio a movimentos por justiça racial.

Defesa de Colombo

A nova estátua de Cristóvão Colombo foi posicionada nos jardins do Edifício Executivo Eisenhower, adjacente à Casa Branca. O então presidente Trump, em uma carta divulgada neste domingo (22/03) à Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Ítalo-Americanas, classificou Colombo como “o herói americano original e um dos homens mais galantes e visionários” do mundo.

John Pica, presidente da entidade ítalo-americana, expressou satisfação: “Estamos muito satisfeitos que a estátua tenha encontrado um lugar onde possa brilhar em paz e ser protegida”. A Casa Branca reforçou essa postura em uma publicação na plataforma X, afirmando que “No governo desta Casa Branca, Cristóvão Colombo é um herói, e o presidente Trump garantirá que ele seja honrado como tal por gerações”.

O Legado Controverso

As expedições de Cristóvão Colombo, financiadas pela Espanha a partir da década de 1490, são amplamente reconhecidas por terem pavimentado o caminho para a conquista e colonização das Américas pela Europa. Contudo, o explorador é uma figura de intensa controvérsia histórica.

O movimento Black Lives Matter, com seus protestos em 2020, impulsionou uma reavaliação profunda do racismo institucional e dos símbolos do período colonial ligados à escravidão. Nesse contexto, estátuas de Colombo se tornaram alvos de manifestantes em diversas cidades, dada a responsabilidade de suas tripulações pelo genocídio e exploração do povo taino no Caribe, um padrão que seria seguido por outros colonizadores contra povos indígenas das Américas.

Em anos recentes, várias instituições e organizações nos Estados Unidos adotaram a substituição do Dia de Colombo, celebrado em 12 de outubro, pelo Dia dos Povos Indígenas, com o ex-presidente Joe Biden assinando uma proclamação para a data em 2021. No entanto, Trump tem se oposto veementemente a essa mudança, rotulando-a de ideologia “antiamericana”. “Eu estou trazendo o Dia de Colombo de volta das cinzas. Os democratas fizeram tudo o que podiam para destruir Cristóvão Colombo, sua reputação e todos os italianos que o amam tanto”, afirmou em abril de 2025.

Outros Monumentos em Debate

Colombo não figura isoladamente entre as personalidades históricas que geram controvérsia e cujas estátuas reaparecem no cenário público. Recentemente, o Departamento do Interior dos Estados Unidos anunciou que uma estátua de Caesar Rodney será exposta em Washington. Rodney, um signatário da Declaração de Independência, era também um notório escravizador, e sua estátua foi removida durante os protestos por justiça racial em Delaware em 2020. A polêmica sobre monumentos históricos e figuras controversas se intensifica, com debates acalorados sobre a preservação e o significado de cada estátua, como a de Trump e Epstein que gerou discussões recentes.

Outro exemplo é a estátua do general confederado Albert Pike, igualmente derrubada durante os protestos de 2020, que foi reinstalada em Washington no ano passado. Esses episódios sublinham a complexidade da memória histórica e a persistência dos conflitos sociais em torno de seus símbolos.

Da IstoÉ com DW