Donald Trump insistiu, neste sábado, em sua vontade de se aproximar da Rússia, mas, ao mesmo tempo, designou como novo diretor de Inteligência um ex-senador que sofre sanções de Moscou, um gesto que deve tranquilizar aqueles que temem que o presidente eleito seja condescendente com o governo russo.
“Ter uma boa relação com a Rússia é uma coisa boa, não uma coisa ruim. Apenas estúpidos ou imbecis achariam ruim”, indicou Trump em uma série de mensagens publicadas no Twitter na manhã deste sábado.
A posição vai de encontro a de numerosos legisladores republicanos historicamente hostis a Moscou.
“Já temos problemas suficientes no mundo para somar mais um. Quando for presidente, a Rússia irá nos respeitar muito mais do que agora, e nossos dois países talvez trabalhem juntos para resolver alguns dos grandes problemas deste mundo”, publicou Trump.
Mas a linha de conduta do presidente eleito continuava difícil de definir, uma vez que, ao mesmo tempo em que ele expressava desejo de trabalhar com a Rússia, anunciava a nomeação de Dan Coats para o posto estratégico de diretor nacional de Inteligência. Coats é alvo de sanções por autoridades russas.
Esta designação é um tema sensível para o líder populista milionário, em plena polêmica com os serviços de inteligência americanos envolvendo os ataques de informática atribuídos à Rússia durante a eleição presidencial americana, em novembro passado.
Trump manifestou publicamente ceticismo envolvendo a ingerência russa, contrariando os órgãos de inteligência americanos, que publicaram ontem um relatório acusando diretamente o presidente Vladimir Putin.
O republicano voltou à carga neste sábado, sempre no Twitter, denunciando a “negligência grave” do Partido Democrata, que, segundo ele, permitiu que fossem hackeadas milhares de mensagens eletrônicas de líderes daquele partido.
– Proibido de entrar na Rússia –
“As informações indicam muito claramente que não existe absolutamente nenhuma prova de que a ação dos hackers tenha interferido nos resultados da eleição”, publicou Trump.
A designação de Dan Coats, 73, senador republicano por Indiana em final de mandato, deve tranquilizar os que temem que o presidente eleito seja pouco rigoroso com a Rússia.
Coats é um dos seis senadores americanos e três funcionários do alto escalão da Casa Branca que Moscou proibiu, em 2014, de viajar para a Rússia, em resposta às sanções aprovadas pelos Estados Unidos após a invasão da Crimeia.
O diretor nacional de Inteligência, cargo criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, coordena a atividade das 16 agências de inteligência dos Estados Unidos, incluindo CIA, FBI e NSA.
Dan Coats, que foi membro da Comissão de Inteligência do Senado, atuou como embaixador na Alemanha entre 2001 e 2005, durante o governo de George W. Bush.