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Trump insiste em que Otan gaste mais com defesa, mas admite avanços

Trump insiste em que Otan gaste mais com defesa, mas admite avanços

Donald Trump ao lado de seu secretário de Estado Mike Pompeo, em 12 de julho - AFP

O presidente americano, Donald Trump, reconheceu finalmente os progressos de seus aliados para aumentar os gastos militares, depois de forçar, nesta quinta-feira (12), uma reunião de emergência da cúpula da Otan para assinalar os “maus alunos”, especialmente a Alemanha.

“Eles aceitaram pagar e pagar mais rapidamente”, comemorou o presidente dos Estados Unidos em uma coletiva de imprensa não planejada antes de deixar Bruxelas para Londres.

“Grande sucesso hoje na Otan! Bilhões de dólares adicionais pagos pelos membros desde a minha eleição”, tuitou em seguida Donald Trump já na capital britânica.

“Desde a eleição de Trump, dinheiro fresco entrou: 41 bilhões de dólares adicionais para os gastos militares dos Aliados, o que é substancial. Precisamos de novos aumentos substanciais”, ressaltou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

O compromisso prometido em 2014 de dedicar 2% do PIB aos gastos com defesa até 2024 permanece letra morta na declaração conjunta aprovada nesta quarta-feira pelos líderes dos 29 países membros da Aliança.

Mas cerca de quinze países, incluindo Alemanha, Canadá, Itália, Espanha e Bélgica, ainda estão muito longe da meta, com menos de 1,4% de seu PIB para a Defesa em 2018, e alguns afirmam que não vão serão incapazes de respeitar esse compromisso, citando restrições orçamentárias.

Donald Trump chegou em Bruxelas na terça-feira à noite e decidiu forçar a mão. Ele não deixou de pressionar a cúpula com mensagens em sua conta no Twitter e declarações diretas aos maus pagadores.

Alvo privilegiado: a Alemanha, acusada de pagar bilhões pela compra de petróleo e gás da Rússia, em vez de contribuir para os gastos com defesa. A Alemanha planeja gastar 1,5% do seu PIB em gastos militares em 2025.

– “Acredito na Otan” –

Trump reiterou suas exigências nesta quinta, segundo dia da cúpula, e Jens Stoltenberg foi forçado a convocar uma reunião de emergência para evitar o risco de uma grande crise.

“Esperava uma discussão franca e foi o que aconteceu ontem e hoje. Os Aliados entenderam que o presidente Trump leva muito a sério questão dos gastos”, reconheceu o chefe da Otan.

O presidente americano reivindicou uma vitória. “Os Aliados podiam estar preocupados, porque ontem eu estava extremamente insatisfeito com o que acontecia e eles aumentaram consideravelmente os seus compromissos. Agora estamos muito felizes por ter uma Otan muito poderosa, muito forte e muito mais forte que dois dias atrás”, disse ele.

“Eu poderia ter usado a ameaça (de deixar a Otan), mas isso não foi necessário”, ressaltou em resposta a uma pergunta nesse sentido.

“Obtive um progresso extraordinário em comparação com os meus antecessores”, sustentou. “A Alemanha concordou em acelerar o ritmo para aumentar seus gastos militares”, explicou Donald Trump.

Mas a chanceler Angela Merkel se limitou a afirmar que os “alemães sabem que devem fazer mais e é isso que temos feito há algum tempo”, confirmando o objetivo de 1,5% do PIB alemão em 2025.

Os chefes dos governos italiano e espanhol, Giuseppe Conte e Pedro Sánchez, prometeram que seus países respeitariam os compromissos assumidos por seus antecessores, mas excluíram aumentar as contribuições.

Depois das ameaças, o apaziguamento: “Acredito na Otan. A Otan está mais forte do que há dois anos”, disse o presidente dos Estados Unidos após a cúpula.

Um sentimento compartilhado pelo francês Emmanuel Macron: “A Otan sai mais forte” de sua cúpula.

A França respeitará seus compromissos de dedicar 2% do seu PIB aos gastos militares. “Nós estaremos lá em 2025”, reafirmou nesta quinta a ministra dos Exércitos Florence Parly.

“Estamos totalmente de acordo com o que foi registrado na declaração final adotada de maneira consensual”, disse ela.

O presidente americano chegou ao Reino Unido nesta quinta-feira à tarde para uma visita oficial, durante a qual se encontrará com a rainha Elizabeth II e com a primeira-ministra Theresa May.

Ele então viajará para Helsinque para uma cúpula bilateral histórica com o presidente russo Vladimir Putin na segunda-feira, quando abordará, entre outros assuntos, as acusações de interferência russa nas eleições presidenciais americanas, em 2016.

A declaração final da cúpula da Otan é um verdadeiro posicionamento contra a política externa de Vladimir Putin.

Jens Stoltenberg alertou que “qualquer interferência” no processo de adesão da antiga República Iugoslava da Macedônia seria “inaceitável” para a Otan.

Vladimir Putin “não é meu inimigo (…) No final das contas, é um concorrente, ele representa a Rússia, eu represento os Estados Unidos”, disse Donald Trump.