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Trump e o Reino Unido: uma relação ‘especial’ muito tumultuada

Trump e o Reino Unido: uma relação ‘especial’ muito tumultuada

Theresa May e Donald Trump em 8 de julho de 2017 em Hamburgo - AFP/Arquivos

Ele deveria ser o grande amigo de Londres, mas o presidente americano, Donald Trump, que inicia uma visita de trabalho ao Reino Unido nesta quinta-feira (12), parece ter prazer em atacar o Reino Unido e seus líderes.

Veja a cronologia de um “relacionamento especial” que vem-se deteriorando constantemente desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2017:

– Tuítes e terrorismo

Quando o Reino Unido foi atingido em 2017 por uma série de ataques terroristas, Donald Trump criticou no Twitter a resposta das autoridades, tendo como alvo o prefeito de Londres, o muçulmano Sadiq Khan.

Em junho, depois de um atentado em Londres, Trump atacou Khan pessoalmente, acusando-o de não levar a sério a ameaça terrorista. O prefeito preferiu não polemizar, mas seu porta-voz denunciou um “tuíte desinformado, deliberadamente fora de contexto”.

Em 15 de setembro, poucas horas depois de uma bomba explodir na estação de metrô londrina Parsons Green, Donald Trump assegura que o autor era conhecido da Polícia britânica e culpa sua falta de antecipação. Irritada, a primeira-ministra Theresa May rebate, classificando o comentário como “desnecessário”.

No final de novembro, Donald Trump atacou Theresa May, que havia chamado de “erro” o retuíte do americano de vídeos antimuçulmanos publicados por um grupo de extrema-direita britânico. “Não se concentre em mim, concentre-se no terrorismo islâmico”, reclamou o republicano.

– Relações comerciais

A atmosfera entre os dois países também segue tensa no comércio, após a decisão dos Estados Unidos de impor medidas antidumping aos aviões da canadense Bombardier, após uma queixa da rival Boeing.

A Bombardier é uma dos maiores empregadoras na Irlanda do Norte, com quase 8.000 funcionários, incluindo mais de 4.000 para as atividades aeronáuticas. A decisão levantou temores em Londres de que as futuras relações comerciais com Washington ficarão comprometidas, no momento em que o Reino Unido está prestes a deixar a União Europeia e depende muito delas.

Esta semana, o embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido, Woody Johnson, garantiu, porém, que Trump queria “concluir um acordo bilateral” com Londres e “rapidamente”.

– Embaixada

Em janeiro, o presidente americano cancelou uma visita a Londres para a inauguração da nova embaixada dos Estados Unidos.

Ele criticou a localização do novo edifício em forma de cubo, concebido pelo escritório de arquitetura americano Kieran Timberlake, nas margens do Tâmisa, no distrito de Battersea.

Segundo ele, a localização anterior no distrito de Mayfair era “muito mais agradável”.

Reagindo ao cancelamento da visita, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse: “Parece que o presidente Trump entendeu a mensagem enviada por muitos londrinos que amam e admiram a América e os americanos, mas que consideram que suas políticas e ações são o completo oposto dos valores de inclusão, diversidade e tolerância da nossa cidade”.

– Londres ‘zona de guerra’

No início de maio, o aumento do número de homicídios por arma de fogo e arma branca em Londres chamou a atenção de Trump.

Em um discurso diante da National Rifle Association (NRA), o poderoso lobby americano pró-armas, ele afirma que um “hospital outrora prestigioso” de Londres parecia uma “zona de guerra” por causa do número de ataques, antes de imitar o uso de uma faca.