O presidente americano, Donald Trump, disse, nesta quarta-feira, 14, ter sido informado que as “execuções” pararam no Irã, em meio a informes de grupos de defesa dos direitos humanos de que as autoridades iranianas reprimiram brutalmente os protestos contra o regime.
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Durante um evento na Casa Branca, Trump disse ter sido informado de “fonte segura” que “o massacre no Irã está parando. Parou… E não há plano para execuções”, acrescentou, sem dar mais detalhes.
Entenda a guerra interna no Irã e a ameaça de intervenção dos EUA
A escalada dos protestos no Irã, iniciados no final de 2025, tornam o futuro do país uma incógnita. Originadas em queixas econômicas, as manifestações foram respondidas com repressão, mortes e bloqueio de internet, o que revelou rachaduras mais profundas no regime dos aiatolás e aumentou a ameaça de intervenção externa.
Ainda que conflitos internos sejam comuns na região, a atual inquietação acontece em um contexto global frágil, com a declaração de uma política expansionista por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O americano impôs tarifas de 25% aos parceiros comerciais do Irã e já flertou com a ideia de invadir o país.
O governo do aiatolá Ali Khamenei, por outro lado, acusa potências rivais de organizarem grupos de inteligência infiltrados entre os manifestantes, além de divulgar informações tendenciosas sobre a conjuntura interna. De todo modo, é de conhecimento internacional que diversos cidadãos iranianos estejam sendo mortos em meio aos conflitos – segundo a HRANA (Human Rights Activists News Agency), pelo menos 2 mil pessoas foram assassinadas e outras 10 mil foram presas.
Como tudo começou
Os protestos desencadearam como uma reclamação à inflação desenfreada que assola o Irã. Primeiramente estabelecidas entre bazares da capital Teerã, as manifestações logo se espalharam pelo resto do território. De acordo com analistas, é recorrente que um acontecimento ou insatisfação seja estopim para reivindicações maiores e gerais contra o regime dos aiatolás, como ocorreu em 2022, com a morte da jovem Mahsa Amini por uso incorreto do hijab.
A situação econômica no país islâmico é drástica, incluindo disparada de preços de alimentos e proibição de que importadores acessem dólares americanos. O governo chegou a divulgar medidas para amenizar a situação, mas os conflitos já haviam tomado proporção nacional. Essa diversidade territorial, segundo explica o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit, é a grande pedra no sapato do governo, uma vez que as frentes são múltiplas e difundidas.
“Diferentemente dos outros protestos, esse se deu em cidades pequenas, médias e grandes, se deu entre jovens e idosos; entre estudantes e comerciantes; homens e mulheres. É efetivamente uma revolta ampla, geral mesmo.”
Guarda Revolucionária iraniana rebate EUA e Israel
O Irã está preparado para responder “com firmeza” aos Estados Unidos e a Israel, declarou o comandante da Guarda Revolucionária, e acusou os dirigentes desses países de estarem por trás dos protestos que sacodem a República Islâmica.
A Guarda Revolucionária está “no nível máximo de preparação para responder com firmeza a um erro de julgamento do inimigo”, declarou o comandante Mohammad Pakpour em um comunicado citado pela televisão, no qual também acusou o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de serem os “assassinos da juventude do Irã”.
Com informações da Reuters e da AFP