Trump diz que ‘tanto faz’ acordo com Irã e afirma que EUA venceram guerra

Representantes dos dois países participaram de negociações diretas neste sábado no Paquistão

Donald Trump na Casa Branca em 6 de março de 2026
Donald Trump na Casa Branca em 6 de março de 2026 Foto: Brendan Smialowski / AFP

O presidente americano Donald Trump disse neste sábado, 11, que “tanto faz” para ele o resultado das conversas entre os Estados Unidos e o Irã no Paquistão, ao insistir que seu país havia vencido a guerra.

“Cheguemos ou não a um acordo, tanto faz para mim. O motivo é que nós vencemos”, disse Trump a jornalistas. “Estamos em negociações muito profundas com o Irã. Vencemos de qualquer jeito. Nós os derrotamos militarmente”, acrescentou.

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Representantes dos Estados Unidos e Irã fizeram duas rodadas de conversas na capital do Paquistão, Islamabad, neste sábado. A Casa Branca confirmou que ambos os lados se sentaram “cara a cara”, caso raro de negociações de alto nível, e informou que o encontro por um acordo de cessar-fogo provavelmente teria uma terceira rodada “pela madrugada ou neste domingo, 12”.

A delegação dos EUA, liderada pelo vice-presidente JD Vance, e a iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, discutiram com o Paquistão, que serviu de mediador, como fazer avançar o cessar-fogo, já ameaçado por profundas divergências e pelos contínuos ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano.

Desde a Revolução Islâmica em 1979, o contato mais direto entre ambos os países havia ocorrido em 2013, quando o presidente Barack Obama ligou para o recém-eleito presidente Hassan Rouhani para discutir o programa nuclear iraniano. As reuniões de alto nível mais recentes foram entre o então secretário de Estado John Kerry e seu homólogo Mohammad Javad Zarif durante as negociações sobre o programa.

Representantes da China, do Egito, da Arábia Saudita e do Catar também estão em Islamabad para facilitar indiretamente as negociações, de acordo com a agência Associated Press (AP).

Durante as negociações, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA haviam começado a “limpar” o Estreito de Ormuz. Poucas horas depois, o Comando Central Militar americano anunciou que dois destróiers haviam entrado em Ormuz, o que foi prontamente negado pelas forças armadas iranianas.

Em Islamabad, o Irã afirmou que qualquer acordo para encerrar a guerra deve incluir o descongelamento dos ativos iranianos pelos Estados Unidos, assim como o fim da guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano, o que, segundo Vance, não está em discussão durante a rodada no Paquistão. Líbano e Israel devem se encontrar na próxima terça-feira (14/04), em Washington, para negociar.

O correspondente da televisão estatal iraniana nas negociações disse que houve progresso nessas questões, dando ao Irã a confiança para prosseguir. Uma autoridade americana negou relatos de que Washington tivesse concordado em descongelar ativos iranianos mantidos no Catar.

Já as agências de notícias locais Tasnim e Fars citaram “exigências excessivas” por parte dos EUA, identificando o Estreito de Ormuz como o principal ponto de discórdia. De acordo com as reportagens, essas exigências estão impedindo o avanço das negociações.

A delegação iraniana insiste na “preservação das conquistas militares”, afirmou a Tasnim, em uma possível referência ao programa de mísseis de Teerã.

A proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã antes das negociações exigia a garantia do fim da guerra e a manutenção do controle do Estreito de Ormuz pela república islâmica. A lista incluía o fim dos combates contra os “aliados regionais” do Irã, exigindo explicitamente a suspensão dos ataques israelenses contra o Hezbollah.

Já a proposta de 15 pontos dos Estados Unidos inclui restrição do programa nuclear do Irã e a reabertura do estreito de Ormuz.

Irã ameaça navios de guerra

O Irã ameaçou atacar um navio de guerra dos Estados Unidos que se aproximava do Estreito de Ormuz neste sábado, 11. A Marinha iraniana alertou que a embarcação americana não deveria avançar na rota marítima, bloqueada desde o início da guerra no Oriente Médio, que é essencial para a circulação mundial de petróleo.

Forças da República Islâmica estavam monitorando de perto o contratorpedeiro americano, disse a mídia estatal. Caso o navio mantivesse seu curso, estaria sujeito a um ataque, alertou.

A delegação iraniana no Paquistão, onde correm as negociações com os Estados Unidos, teria apresentado uma queixa ao país mediador, exigindo que o navio deixasse o estreito.

Dados do serviço de rastreamento marítimo VesselFinder mostraram no Golfo uma embarcação do governo dos Estados Unidos, de tipo não especificado, o que é comum no caso de navios militares.

Líbano segue sob ataque de Israel

O Exército de Israel continuou neste sábado a onda de ataques contra diferentes pontos do sul do Líbano, enquanto seus caças sobrevoavam a capital, Beirute. Na noite da véspera, a presidência libanesa anunciara um primeiro contato telefônico com Tel Aviv para discutir um cessar-fogo, segundo a imprensa oficial.

A agência de notícias libanesa ANN reportou que Israel atacou diversas localidades do sul do país, como Mansouri, Jouya, Qantara e Tebnine, onde um bombardeio atingiu as “proximidades” de um hospital público. Não há, por ora, registro de vítimas.

Além disso, Israel “rompeu a barreira do som em duas ocasiões, com aviões de guerra voando a baixa altitude sobre Beirute” e os subúrbios ao sul da capital, segundo a agência. Estas áreas têm sido duramente castigadas desde o início do conflito entre forças israelenses e o Hezbollah em 2 de março.

Segundo o Líbano, os embaixadores dos dois países nos EUA agendaram uma reunião para a próxima terça-feira na sede do Departamento de Estado americano, em Washington. Será discutido “o anúncio de uma trégua e a data de início das negociações”, de acordo com a presidência.

Israel realizou uma onda de bombardeios contra o Líbano na última quarta-feira, que resultou em 357 mortos em um único dia, além de 1.223 feridos. O balanço total de mortes desde o início do conflito, há cinco semanas, ultrapassa 1.950 pessoas, segundo o Ministério da Saúde Pública libanês.

* Com informações da AFP e DW