Donald Trump diz que ‘se voltará’ a Cuba após finalizar guerra no Irã

Segundo o mandatário, há conversas em andamento entre Washington e Havana, e um acordo pode acontecer em breve

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Presidente dos EUA, Donald Trump, em evento no Estado norte-americano da Geórgia Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo, 15, que pretende voltar a atenção à situação de Cuba após resolver o conflito com o Irã. Segundo o mandatário, há conversas em andamento entre Washington e Havana, e um acordo pode acontecer em breve.

“Estamos conversando com Havana, mas primeiro estamos ocupados com o Irã”, disse Trump à imprensa. “Acredito que, muito em breve, chegaremos a um acordo [com Cuba] ou faremos o que for preciso”, declarou o presidente, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas.

Cerca de uma semana após o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, Trump já havia indicado que a ilha caribenha estaria entre suas próximas prioridades na política externa. Em entrevista ao site Politico, o republicano afirmou que Cuba “também irá cair” e reforçou que o país enfrenta dificuldades após a interrupção de recursos vindos da Venezuela.

“Cortamos todo o petróleo, todo o dinheiro, tudo o que vinha da Venezuela, que era a única fonte. E eles querem fazer um acordo”, disse o presidente.

Questionado se os Estados Unidos estariam desempenhando algum papel em uma possível mudança de regime em Cuba — assim como ocorreu na Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro em janeiro — Trump respondeu que “isso é a cereja do bolo”. Na mesma ocasião, elogiou a atuação de Delcy Rodríguez, presidente interina venezuelana, afirmando que ela “está fazendo um trabalho fantástico”.

Do lado cubano, o presidente Miguel Díaz-Canel confirmou na sexta-feira, 13, que representantes de seu governo se reuniram recentemente com autoridades americanas para discutir as divergências entre os dois países. Segundo ele, o encontro teve como objetivo “identificar áreas de cooperação que contribuam para a segurança e a paz em ambas as nações e em todo o continente”.

As conversas acontecem em meio a uma grave crise energética na ilha. Nas últimas semanas, milhões de cubanos ficaram sem energia elétrica após uma falha que provocou o desligamento de grande parte do sistema nacional. De acordo com a empresa estatal Unión Eléctrica (UNE), o apagão atingiu cerca de dois terços do país.

A interrupção ocorre em meio às dificuldades no fornecimento de petróleo para as usinas termelétricas cubanas, problema agravado pelas sanções e pressões dos Estados Unidos contra países que exportam combustível para Cuba.