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Trump diz que indicará novo integrante da Suprema Corte até o fim da semana

Trump diz que indicará novo integrante da Suprema Corte até o fim da semana

Um pequeno grupo de manifestantes em frente à Suprema Corte dos Estados Unidos, em 21 de setembro de 2020 - AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que indicará o substituto da falecida magistrada da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg até o fim da semana e que o Senado tem tempo mais do que suficiente para aprovar o nome antes das eleições.

A menos de 50 dias das eleições presidenciais, a morte na última sexta-feira da juíza progressista teve impacto total na campanha devido à polêmica sobre se o substituto deve ser nomeado pelo atual governo ou por quem vencer em 3 de novembro.

“Farei o anúncio na sexta-feira ou sábado, e depois começa o trabalho, mas esperemos que não seja muito trabalho”, afirmou Trump em uma entrevista ao canal Fox News.

Ele disse que pretende esperar a conclusão das homenagens fúnebres a Ruth Bader Ginsburg, que morreu na sexta-feira aos 87 anos, para anunciar a indicação, que é vitalícia e deve ser confirmada pelo Senado, onde os republicanos têm a maioria.

O velório da magistrada será no edifício do Supremo Tribunal e no Capitólio, em uma cerimônia reservada a convidados. Em seguida, ela será enterrada em um ritual privado na próxima semana em Arlington, nos arredores de Washington.

Nos Estados Unidos, a Suprema Corte tem poder de decisão em uma ampla gama de questões que impactam a vida dos cidadãos, desde a imigração até direitos reprodutivos e acesso à saúde.

A configuração da mais alta corte antes da morte de Ginsburg era de 5 a 4, com maioria de conservadores, mas de vez em quando um juiz mais moderado ficava do lado dos progressistas.

Se Trump nomear outro magistrado, o elenco será de 6 para 3 a favor dos conservadores.

No centro do debate está o líder do Senado, Mitch McConnell, que em 2016 se recusou a votar o sucessor de um juiz conservador, sob o argumento de que era um ano eleitoral, mas neste caso indicou que vai organizar a votação antes as eleições.

Há “precedentes esmagadores para que o Senado vote a indicação este ano”, disse McConnell.

Trump afirmou ainda que o Senado, de maioria republicana, tem “muito tempo” para ratificar a indicação do novo magistrado antes das eleições.

– Uma mulher hispânica da Flórida entre as favoritas-

Durante seu mandato, Trump ja designou dois magistrados conservadores e afirmou durante o fim de semana que pretende nomear uma “mulher muito talentosa” para substituir Ginsburg.

O adversário eleitoral de Trump, Joe Biden, enfatizou no domingo que as últimas palavras da juíza foram para expressar seu desejo de não ser substituída até que um novo governo fosse instituído.

“Como nação, devemos ouvir seu último pedido”, disse o ex-vice-presidente democrata, que supera Trump nas pesquisas nacionais, em uma disputa que se revela acirrada em vários estados essenciais para chegar à Casa Branca, como Flórida, Pensilvânia e Ohio.

Em um momento em que duas senadoras – Susan Collins e Lisa Murkowski – entraram em dissenso com a maioria republicana, o debate aumenta a pressão sobre vários senadores pró-governo que buscam a reeleição e temem que prosseguir com a nomeação de um juiz poderia beneficiar os democratas.

Trump considera escolher entre duas mulheres para substituir Ginsburg, as juízas Amy Coney Barrett e Barbara Lagoa.

O presidente destacou Lagoa como uma “excelente” candidata, lembrando que ela é hispânica e “ama a Flórida”, estado de origem da magistrada.

Vários analistas apontam que a atenção em torno da indicação tira o foco da crise do coronavírus nos Estados Unidos, país com mais mortes no mundo e que deve ultrapassar os 200 mil óbitos.

Mas essa estratégia tem seus riscos, já que Ginsburg foi um ícone da esquerda e a polêmica pode favorecer Biden.

Trump também rejeitou que as últimas palavras de Ginsburg tenham sido não nomear um sucessor antes da eleição e acusou os democratas de ditarem esta declaração, que classificou como “muito conveniente”.

“O essencial é que vencemos as eleições e temos uma obrigação”, disse ele, observando que, se os democratas estivessem na mesma posição, haveria “chance zero” que eles a desperdiçariam.

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