Trump descarta ataques ao Irã antes das eleições de novembro nos EUA

Presidente americano afirma manter negociações com Teerã, mas tensão no Estreito de Ormuz impulsiona preços do petróleo e provoca novas sanções

Imagem de arquivo IstoÉ
Foto: Imagem de arquivo IstoÉ

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (8) que não pretende realizar novos ataques militares contra o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro. A declaração ocorre em meio às negociações entre Washington e Teerã e à crescente preocupação com o abastecimento mundial de petróleo.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump declarou que seu governo mantém conversas consideradas produtivas com autoridades iranianas e afastou a possibilidade de uma ofensiva militar imediata.

“Não atacaremos o Irã antes das eleições de meio de mandato”, escreveu o presidente americano.

Apesar da sinalização de uma possível redução das tensões militares, o mercado internacional de energia permaneceu pressionado. As cotações do petróleo encerraram o dia com valorização superior a 5%, refletindo as incertezas sobre a segurança das rotas comerciais no Oriente Médio.

Trump afirma que negociações com o Irã avançam

O presidente americano demonstrou otimismo em relação aos contatos diplomáticos com Teerã, embora tenha mantido críticas à situação econômica e militar do país.

Segundo Trump, o Irã enfrenta dificuldades significativas em ambas as áreas, o que poderia favorecer o avanço de um entendimento com Washington.

O republicano também afirmou que o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua ocorrendo em volumes recordes.

A declaração, entretanto, contrasta com indicadores recentes sobre o movimento de embarcações na região.

Tráfego de navios no Estreito de Ormuz registra queda

Dados da consultoria Kpler apontam que o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz atingiu seu menor nível em mais de dois meses.

Na terça-feira (6), apenas sete navios responsáveis pelo transporte de matérias-primas atravessaram a passagem marítima, o menor volume registrado desde 23 de julho.

O estreito é considerado uma das rotas mais importantes para o comércio internacional de petróleo, conectando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao restante do mercado marítimo global.

Qualquer interrupção ou redução significativa no tráfego pela região pode provocar efeitos sobre o preço dos combustíveis e os custos de transporte em diferentes países.

A divergência entre as declarações de Trump e os dados de movimentação marítima reforça a preocupação dos investidores com a estabilidade do fornecimento energético.

Estados Unidos anunciam novas sanções contra navios iranianos

Paralelamente às negociações diplomáticas, o governo americano anunciou uma nova rodada de sanções relacionadas ao setor petrolífero iraniano.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou que as medidas atingem embarcações associadas à chamada “frota fantasma” de Teerã.

A expressão é utilizada para identificar redes de navios-tanque empregadas no transporte de petróleo e derivados, frequentemente por meio de operações destinadas a contornar restrições comerciais internacionais.

A iniciativa amplia a pressão econômica sobre o governo iraniano em um momento de tentativas de aproximação diplomática.

Washington e Teerã discutem programa nuclear

De acordo com informações divulgadas pela emissora americana NBC News, representantes diplomáticos dos Estados Unidos e do Irã participaram de conversas indiretas em Nova York.

O principal tema das negociações é o programa nuclear iraniano, uma das questões mais sensíveis nas relações entre os dois países.

A Casa Branca pretende que um eventual acordo inclua compromissos relacionados ao enriquecimento de urânio e às atividades iranianas que Washington considera responsáveis pela instabilidade regional.

O governo iraniano, por sua vez, busca aliviar as restrições econômicas impostas pelos Estados Unidos e garantir condições para a retomada de suas operações comerciais.

Proposta de trégua de sete dias foi rejeitada

Durante as tratativas, o Irã teria apresentado uma proposta de trégua temporária com duração de sete dias.

Pelos termos sugeridos, os Estados Unidos suspenderiam determinadas sanções e desbloqueariam ativos iranianos, enquanto Teerã permitiria a reabertura plena do Estreito de Ormuz.

A discussão sobre o programa nuclear ficaria para uma etapa posterior das negociações.

A proposta, entretanto, foi rejeitada por Trump, que mantém a exigência de que um eventual entendimento também contemple as questões nucleares e de segurança regional.

Eleições americanas entram no centro da crise

A decisão de descartar ataques militares antes das eleições de meio de mandato acrescenta um componente político à crise entre Estados Unidos e Irã.

O pleito de novembro será importante para definir a composição do Congresso americano e poderá influenciar a capacidade do governo Trump de implementar sua agenda nos próximos anos.

Ao mesmo tempo, a alta do petróleo representa um desafio econômico, já que o encarecimento da energia pode pressionar a inflação e os preços dos combustíveis.

Embora a declaração presidencial indique uma pausa nas possibilidades de ofensiva militar imediata, as sanções, as divergências sobre o programa nuclear e as restrições ao transporte marítimo mostram que a crise permanece sem solução definitiva.

Da IstoÉ e Ansa

Leia também – MotorShow

Ford Maverick Lariat de R$ 209.900 tem 253 cv e tração AWD para roubar clientes da Fiat Toro