Da IstoÉ e Ansa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta segunda-feira (12) o acordo firmado com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para ampliar o fornecimento de diesel aos mercados americano e internacional. A iniciativa provocou críticas da Ucrânia e da União Europeia, que alertam para o risco de o comércio de combustíveis fortalecer financeiramente Moscou durante a guerra em território ucraniano.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou ter tomado a decisão em benefício dos consumidores americanos e rebateu os questionamentos sobre a aproximação energética com o governo russo.
O republicano citou os gastos europeus com energia russa e sustentou que sua prioridade é garantir o abastecimento e reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos.
“Fiz a escolha certa para o povo americano: América em primeiro lugar, sempre”, declarou.
Trump anuncia fornecimento de diesel pela Rússia
O acordo foi anunciado na sexta-feira (9), após uma conversa entre Trump e Putin.
Segundo o presidente americano, a Rússia se comprometeu a disponibilizar imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel para os mercados dos Estados Unidos e de outros países.
O cronograma anunciado prevê outras 500 mil toneladas em novembro, seguidas de mais 1 milhão de toneladas em uma etapa posterior.
Trump também mencionou a possibilidade de fornecimentos adicionais, condicionados à capacidade de produção das refinarias russas.
A iniciativa foi apresentada pela Casa Branca como uma tentativa de aumentar a oferta de combustível e conter a alta dos preços, especialmente em setores dependentes do transporte rodoviário.
Para viabilizar as operações, o governo americano anunciou uma flexibilização temporária das restrições comerciais aplicadas ao diesel de origem russa.
Zelensky critica aproximação energética entre Washington e Moscou
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reagiu ao anúncio afirmando que a retomada das vendas de derivados de petróleo russos pode contribuir para financiar a continuidade da guerra.
Na avaliação do governo ucraniano, a flexibilização das sanções reduz a pressão econômica sobre Moscou em um momento em que Kiev busca ampliar o isolamento internacional da Rússia.
Zelensky também defendeu que eventuais iniciativas diplomáticas sejam acompanhadas de medidas concretas para reduzir os ataques e avançar em direção a um cessar-fogo.
A divergência evidencia o desafio enfrentado pelas negociações de paz: enquanto Washington busca alternativas para ampliar a oferta de combustíveis, a Ucrânia considera as receitas energéticas russas um elemento importante para a manutenção do esforço militar de Moscou.
União Europeia reafirma posição contra combustíveis russos
A União Europeia reiterou que pretende eliminar gradualmente sua dependência dos combustíveis fósseis provenientes da Rússia.
Segundo a Comissão Europeia, a compra desses produtos contribui para gerar receitas que podem sustentar a guerra na Ucrânia.
Durante entrevista coletiva em Bruxelas, a porta-voz da Comissão, Paula Pinho, afirmou que o bloco continua favorável a uma trégua energética, mas considera indispensável que haja compromissos efetivos por parte de Moscou.
A representante europeia destacou que Zelensky já manifestou disposição para aderir a uma iniciativa desse tipo e afirmou que a União Europeia aguarda sinais concretos do governo russo.
A posição do bloco contrasta com a decisão americana de flexibilizar temporariamente restrições comerciais relacionadas ao diesel russo.
Kremlin nega tentativa de dividir Estados Unidos e Europa
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a interpretação de que Moscou estaria tentando provocar divergências entre Washington e seus aliados europeus.
Segundo Peskov, a Rússia defende medidas diplomáticas que permitam uma solução negociada para a guerra.
O representante russo também elogiou a continuidade das conversas conduzidas por negociadores americanos e afirmou que o governo de Trump tem incentivado a Ucrânia a adotar decisões consideradas necessárias para um possível acordo.
As declarações refletem a posição do Kremlin e não significam que exista consenso entre Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia sobre as condições para encerrar o conflito.
Acordo pode reduzir o preço do diesel?
O governo Trump aposta no aumento da oferta internacional para aliviar a pressão sobre os preços do diesel, combustível essencial ao transporte de mercadorias e à atividade agrícola.
Especialistas em energia, porém, avaliam que o impacto pode ser limitado. O volume inicialmente anunciado representa uma parcela relativamente pequena do consumo americano, e o efeito sobre os preços dependerá das condições de produção, distribuição e demanda no mercado internacional.
Além das incertezas econômicas, o acordo enfrenta questionamentos políticos e jurídicos nos Estados Unidos, diante das restrições impostas anteriormente às importações de energia russa.
A negociação coloca novamente em evidência o conflito entre dois objetivos da política americana: conter os custos dos combustíveis e manter a pressão econômica sobre Moscou em razão da guerra na Ucrânia.