VATICANO, 21 JAN (ANSA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o papa Leão XIV para integrar o controverso “Conselho de Paz” que vai supervisionar a gestão e a reconstrução da Faixa de Gaza, porém a questão ainda está sendo analisada pela Santa Sé.
A informação foi revelada nesta quarta-feira (21) pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, em meio aos questionamentos sobre uma iniciativa que, para alguns críticos, mira esvaziar a ONU e criar uma espécie de nova governança global liderada pelo próprio Trump.
Em declarações à margem de um evento, Parolin disse que o presidente dos EUA “está pedindo a vários países que participem”. “Nós também recebemos esse convite, o Papa recebeu o convite, e estamos vendo o que fazer, estamos aprofundando”, acrescentou o secretário.
Segundo ele, a complexidade da questão “exigirá um pouco de tempo para uma resposta”.
Trump convidou dezenas de líderes mundiais para o assim chamado Conselho de Paz, organismo que teria como objetivo supervisionar a gestão e a reconstrução de Gaza, porém que não se limitaria ao enclave palestino e poderia também atuar em outros locais de conflito.
A falta de clareza sobre seus objetivos e a abrangência de convidados levantou temores de que o republicano estaria tentando criar uma espécie de ONU paralela, dado que o presidente americano é crítico feroz das Nações Unidas e de suas instituições.
Segundo o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, “mais de 20” países já aceitaram o convite, sobretudo aqueles alinhados a Trump, como Argentina, Israel e Hungria.
França, Noruega e Suécia recusaram aderir à iniciativa, que também enfrenta resistência da Alemanha, enquanto Brasil, China e Rússia permanecem cautelosos. Trump teria mandato vitalício à frente do Conselho de Paz, e países que desejarem um assento permanente teriam de pagar uma cota de US$ 1 bilhão, recursos que seriam administrados pelo próprio republicano. (ANSA).