Trump considera tirar EUA da Otan e define aliança como ‘tigre de papel’

ROMA, 1 ABR (ANSA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera retirar o país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar ocidental que sempre foi um pilar da política de segurança americana.   

A declaração foi dada em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, em meio às críticas do magnata à Otan e a seus Estados-membros, como Reino Unido e França, por não se juntarem à guerra contra o Irã.   

“Sim, eu diria que isso está além da reconsideração”, disse Trump ao ser questionado se poderia estudar uma possível retirada dos EUA da aliança após o conflito no Oriente Médio.   

“A Otan nunca me convenceu. Sempre soube que era um tigre de papel, e Putin também sabe disso, aliás”, salientou o presidente, que vem cobrando uma ação militar da organização para liberar o Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico e bloqueado pelo Irã.   

“Além de não estarmos lá, foi realmente difícil de acreditar.   

E eu não pedi muito. Eu só disse: ‘Ei’, não insisti muito. Acho que deveria ser automático”, destacou Trump, acrescentando que os EUA agiram imediatamente para ajudar a Ucrânia.   

“Não era um problema nosso, era um teste, e estávamos lá por eles [os europeus], e sempre estaríamos. Eles é que não estavam lá por nós”, afirmou.   

Horas antes, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já havia dito que os EUA precisam “reavaliar” sua relação com a Otan, em meio à resistência de países europeus em ceder bases militares para utilização na guerra contra o Irã.   

“Se chegamos ao ponto em que a Otan nos impede de usar bases, em que não podemos mais usá-las efetivamente para defender os interesses dos EUA, então a Otan é uma via de mão única e se resume à presença de nossas tropas para defender a Europa”, acrescentou.   

Questionado sobre as críticas de Washington, o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, saiu em defesa da aliança militar.   

“Ela garante nossa segurança há décadas, e nós estamos plenamente comprometidos com ela”, salientou.   

Já a Comissão Europeia, poder Executivo da União Europeia, destacou que as relações transatlânticas são “cruciais” para a segurança do bloco. “Somos mais fortes juntos, e a Otan é fundamental nesse sentido”, disse um porta-voz. (ANSA).