O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o ataque americano à Venezuela na manhã deste sábado e disse que Nicolás Maduro foi capturado e retirado do país. A declaração foi dada na rede Truth Social.
+ Presidente da Colômbia condena ‘agressão à soberania’ venezuelana após ataque dos EUA
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, diz a postagem.
Trump não informou para onde Maduro e sua esposa foram conduzidos. Maiores detalhes sobre a operação serão apresentados em coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília).
Ofensiva inédita
As operações militares ocorrem após os EUA passarem meses posicionando forças militares no Mar do Caribe, incluindo a presença de navios de guerra e o maior porta-aviões do mundo.
Oficialmente, os EUA justificaram o deslocamento das forças como uma ação para combater “narcoterroristas “, mas analistas apontam que as ações podiam visar uma mudança de regime na Venezuela, cujo governo está sob controle dos chavistas há mais de duas décadas.
Fortes explosões e ruídos de aviões foram ouvidos nas primeiras horas deste sábado) em Caracas e outras regiões da Venezuela.
O governo venezuelano denunciou o que chamou de “agressão militar gravíssima” dos Estados Unidos contra alvos civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira, onde estão localizados o aeroporto e o porto da capital do país.
“O governo bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem seus planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista”, afirmou o governo, em nota.
Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora não seja possível determinar a localização exata das explosões, que parecem ter ocorrido no sul e leste da capital.
As primeiras explosões foram ouvidas em torno das 02h00, seguida de outra às 02h38, enquanto aeronaves continuavam sobrevoando a cidade.
As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, que enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionar a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmar que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam “contados”.
Trump alegou nesta segunda-feira que os Estados Unidos destruíram um porto usado por embarcações supostamente envolvidas com o narcotráfico na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano.
Maduro reagiu à fala de Trump afirmando que “o sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios”.
Trump acusa Maduro de chefiar uma rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país.
Maduro liberou presos políticos
Na última quinta-feira, sob forte pressão dos Estados Unidos, a Venezuela anunciou a libertação de 88 pessoas presas por protestarem contra a contestada vitória de Maduro nas eleições de julho de 2024.
Maduro impôs uma violenta repressão aos opositores que rejeitaram o resultado oficial, que o conduziu a um terceiro mandato de seis anos na Presidência.
A violência resultou na morte de 28 pessoas e na prisão de cerca de 2.400 manifestantes, incluindo dezenas de menores de idade.
Desde então, mais de 2 mil manifestantes foram libertados, segundo registros oficiais.
Em 25 de dezembro, Caracas já havia anunciado a libertação de 99 prisioneiros como “uma expressão concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça”.
ONGs venezuelanas estimam que cerca de 900 presos políticos ainda estejam detidos, incluindo pessoas presas antes das eleições.
Com informações da Deutsche Welle