Em uma declaração que gerou repercussão internacional, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comparou o sistema eleitoral brasileiro com o americano nesta segunda-feira (5), tecendo elogios à eficiência da apuração de votos no Brasil e classificando o processo eleitoral de seu próprio país como “corrupto”. A manifestação de Trump ocorre em um momento de investigação sobre suposta interferência externa nas eleições brasileiras.
“Hoje, 125 milhões de pessoas votaram no primeiro turno da eleição presidencial brasileira. Os resultados foram anunciados logo após o fechamento das urnas, no mesmo dia”, escreveu Trump em sua plataforma Truth, durante a madrugada [hora de Brasília] desta segunda-feira (5). Ele contrastou essa agilidade com a demora nos EUA.
No entanto, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar de 158,7 milhões de brasileiros estarem aptos a votar, 33,4 milhões não compareceram às urnas no domingo (4).
Eleições nos EUA são comparadas
Já “em Detroit, Filadélfia, Califórnia e em inúmeras outras cidades e estados dos EUA, os resultados – envolvendo números bem mais modestos – costumam levar semanas para serem “manipulados”, ou melhor, calculados”, prosseguiu o republicano, antes de concluir de forma incisiva: “O sistema eleitoral americano é corrupto”.
Trump não mencionou o resultado das eleições presidenciais no primeiro turno, que terminou com o candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, superando Lula, que alcançou 45,16%, em mais de 2,2 milhões de votos.
Investigação sobre interferência dos EUA nas eleições brasileiras avança
Durante o período pré-eleitoral, o governo brasileiro, em um movimento de defesa da soberania nacional, tentou impedir uma suposta interferência dos EUA nas eleições ao negar o visto a um grupo de diplomatas americanos.
Membros da família Bolsonaro são acusados de buscar apoio de Donald Trump para intervir em assuntos nacionais, como no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
Ontem, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, anunciou a abertura de uma investigação sobre uma suposta interferência dos EUA nas eleições no Brasil. A medida atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), feito em 1º de outubro.
Rodrigues informou que o procedimento está em fase preliminar na Diretoria de Inteligência da PF. “Nós recebemos uma representação da AGU sugerindo a apuração de interferência externa nas eleições brasileiras, o que é crime na legislação eleitoral. Isso foi analisado pela nossa área técnica ontem (sábado, 3/10) e, encaminhado para a diretoria de inteligência, que é quem vai conduzir a investigação”, explicou o diretor-geral da PF. (Da IstoÉ com ANSA).