O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 3, que funcionários americanos estão mantendo “conversas muito positivas” com o Irã sobre possíveis passos para o fim da guerra no Oriente Médio. O aceno ocorre em meio a um cenário de incertezas e pressões militares na região.
“Estou plenamente ciente de que meus representantes estão tendo conversas muito positivas com o país do Irã, e de que estas conversas poderiam levar a algo muito positivo para todos”, publicou Trump em sua plataforma, Truth Social. A declaração surge após o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmar que Teerã apresentou um plano com 14 pontos “centrado em acabar com a guerra”.
Apesar do tom diplomático do presidente, a Guarda Revolucionária iraniana adotou uma postura mais agressiva também neste domingo, desafiando Washington a optar por uma operação militar classificada como “impossível” ou um “acordo ruim” com a República Islâmica. O impasse entre as duas nações persiste desde o cessar-fogo iniciado em 8 de abril, que interrompeu 40 dias de ofensivas israelenses-americanas e retaliações iranianas.
Diplomacia em Islamabad
As negociações, coordenadas por meio do Paquistão, mediador do conflito, buscam destravar temas sensíveis como o programa nuclear e o bloqueio do Estreito de Ormuz. “Estamos analisando as respostas e formularemos a reação adequada”, afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei.
No sábado, 2, Trump havia demonstrado ceticismo, afirmando que o Irã ainda não pagou um “preço alto o suficiente” por suas ações históricas. Contudo, a nova sinalização deste domingo indica que os canais de diálogo permanecem abertos, apesar da retórica inflamada de ambos os lados.
Plano de 14 pontos
O plano entregue a Washington estabelece um cronograma de 30 dias para a cessação das hostilidades. Segundo informações da agência “Tasnim”, as exigências de Teerã incluem:
- Retirada das forças americanas de áreas adjacentes ao território iraniano;
- Suspensão do bloqueio naval aos portos do país;
- Descongelamento de ativos e pagamento de indenizações financeiras;
- Criação de um mecanismo para a livre circulação no Estreito de Ormuz;
- Encerramento das frentes de combate no Líbano.
Pressão econômica
O conflito tem gerado reflexos diretos na economia global, mantendo os preços do petróleo em níveis elevados. Enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defende que as sanções estão asfixiando financeiramente o regime iraniano, a Guarda Revolucionária sustenta que a margem de manobra dos EUA diminuiu devido ao posicionamento de potências como China e Rússia.
No sul do Líbano, a tensão militar segue inalterada. Israel emitiu ordens de evacuação urgente para localidades fora de sua zona de segurança, sinalizando que a estabilidade regional ainda depende do desfecho das negociações em curso entre Washington e Teerã.
* Com informações da AFP