Trump anuncia bloqueio do Estreito de Ormuz após fracasso de negociações

EUA e Irã se reuniram cara a cara no Paquistão, pela primeira vez desde a Revolução Islâmica; rota marítima essencial para petróleo e armas nucleares travaram conversas

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz Foto: REUTERS/Stringer

O presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos vão bloquear em breve “todo e qualquer navio tentando entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, depois que falharam as negociações de paz com o Irã neste domingo, 12.

Ele afirmou ter instruído a Marinha americana a “localizar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pagado uma taxa ao Irã”.

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“Ninguém que pague uma taxa ilegal terá passagem segura em alto mar. Também começaremos a destruir as minas que os iranianos colocaram no estreito”, escreveu ele, numa extensa publicação na própria rede social.

O republicano chamou de “extorsão mundial” o bloqueio pelo Irã do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa um quinto do petróleo. Ele também renovou as ameaças de destruição contra os iranianos, afirmando que vai “acabar com o pouco que ainda resta” no país persa.

“Como prometeram, é melhor que comecem logo a trabalhar para que essa via navegável internacional seja aberta o mais rápido possível!,” prosseguiu.

Líderes mundiais vêm instando os dois lados a respeitarem a trégua de duas semanas, anunciada na última terça‑feira, apesar do revés diplomático deste fim de semana.

“Em muitos aspectos, os pontos acordados são melhores do que continuarmos nossas operações militares até o fim”, disse ainda o presidente americano, “mas nada disso importa quando comparado ao risco de permitir que a energia nuclear fique nas mãos de pessoas tão instáveis, difíceis e imprevisíveis.”

Por sua vez, o Irã acusou os EUA de demandas “irracionais”, culpando a delegação americana pela paralisação das tratativas.

EUA e Irã deixam negociações no Paquistão sem acordo

As negociações de paz em Islamabad terminaram sem chegar a um acordo. As duas delegações já deixaram o Paquistão, mediador das conversas.

Segundo os EUA, as tratativas paralisaram devido à recusa do Irã em se comprometer a abandonar seu programa de armas nucleares, colocando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas.

“Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear e não buscarão os instrumentos que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”, disse o vice-presidente J.D. Vance, que liderou a delegação dos EUA, após 21 horas de negociações.

Ele afirmou ainda ter apresentado a sua “oferta final e melhor” ao Irã na reunião de mais alto nível entre os dois lados desde a Revolução Islâmica de 1979. Sinalizou, também, que ainda estava dando tempo para que o Irã considerasse a proposição americana.

Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações colapsaram devido a uma “diferença entre nossas opiniões sobre duas ou três questões importantes”.

Ele disse à televisão estatal que o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para circulação de petróleo, esteve entre os temas discutidos e culpou o que chamou de “extrapolação dos EUA”. Não mencionou armas nucleares, embora a emissora tenha citado anteriormente este como um dos principais pontos de impasse.

Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o término do cessar-fogo, anunciado na última terça-feira. Mediadores paquistaneses instaram ambas as partes a não quebrar a trégua.

O Paquistão afirmou ainda que tentará facilitar um novo diálogo nos próximos dias. A mídia estatal iraniana reportou que há abertura na República Islâmica para continuar as conversas.

Irã ameaça atacar navio dos EUA

No sábado, 11, o Irã ameaçou atacar um navio de guerra dos Estados Unidos que se aproximava do Estreito de Ormuz, durante o primeiro dia de negociações de paz entre os dois países.

A Marinha iraniana alertou que a embarcação americana não deveria avançar na rota marítima, bloqueada desde o início da guerra no Oriente Médio, que é essencial para a circulação mundial de petróleo.

Forças da República Islâmica estavam monitorando de perto o contratorpedeiro americano, disse a mídia estatal. Caso o navio mantivesse seu curso, estaria sujeito a um ataque, alertou.

Dados do serviço de rastreamento marítimo VesselFinder mostraram no Golfo uma embarcação do governo dos Estados Unidos, de tipo não especificado, o que é comum no caso de navios militares.