ROMA, 30 JAN (ANSA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quinta-feira (30) uma ordem executiva ameaçando impor tarifas adicionais a países que vendem petróleo para Cuba. No mesmo dia, a Venezuela, sob pressão americana, anunciou uma reforma na lei petrolífera que abre o setor a investimentos externos.
“Uma taxa adicional ad valorem (valor estimado) poderá ser imposta sobre as importações de bens que sejam produtos de um país estrangeiro que, direta ou indiretamente, venda ou forneça petróleo a Cuba”, diz um trecho da ordem executiva divulgada pela Casa Branca.
O texto invoca a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional e classifica o governo cubano como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional dos EUA.
“O regime alinha-se e apoia numerosos países hostis, grupos terroristas transnacionais e atores malignos contrários aos Estados Unidos, incluindo Rússia, China e Irã, bem como os grupos militantes Hamas e Hezbollah”, afirma a ordem executiva, destacando que Havana, “até recentemente, recebia a maior parte de seu petróleo da Venezuela”.
Desde que capturou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, Trump assumiu o controle do setor petrolífero do país, prometendo interromper os embarques de petróleo para Cuba sem um acordo.
A ilha caribenha tem sofrido com a grave escassez de combustível nos últimos anos, o que afetou sua rede elétrica e provocou apagões generalizados pelo país.
“Denunciamos perante o mundo este brutal ato de agressão contra Cuba e seu povo, submetido há mais de 65 anos ao mais longo e cruel bloqueio econômico já aplicado a uma nação inteira, que agora ameaça submetê-la a condições de vida extremas”, afirmou o ministro das Relações Exteriores de Havana, Bruno Rodríguez, no X.
Ao mesmo tempo, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, promulgou na quinta a reforma na Lei de Hidrocarbonetos, a qual afrouxa o controle estatal sobre o setor petrolífero, abrindo-o ao investimento privado e estrangeiro.
Sob intensa pressão americana, Rodríguez fez o anúncio após uma conversa telefônica com Trump, classificando a medida como um “salto histórico” e destacando que “a Venezuela está dando passos importantes” para revitalizar uma indústria estratégica em profunda crise, afetada pela queda na produção, sanções internacionais e escassez de capital. (ANSA).