Trump ameaça Irã com ataque "vinte vezes mais forte"

Trump ameaça Irã com ataque "vinte vezes mais forte"

"IrãPresidente americano disse que ataque ocorrerá se Teerã bloquear o Estreito de Ormuz. Barril de petróleo ultrapassa os US$ 100. Acompanhe as notícias sobre guerra.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de semana passado miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei e até a eleição de um novo líder supremo, que ocorreu neste domingo (08/03). O escolhido foi Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
Israel conduz uma campanha de bombardeios contra Líbano, aprofundando o conflito no Oriente Médio. O governo israelense exige o desarmamento do Hezbollah, grupo armado alinhado ao Irã que mira áreas de Israel perto da fronteira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu a "rendição incondicional do Irã". Ele diz que foi procurado pela nova liderança iraniana, mas que agora "é tarde demais". Segundo ele, a ofensiva americana deve durar quatro ou mais semanas. O Irã descarta a possibilidade de se entregar.
No Golfo Pérsico, empresas petrolíferas suspenderam o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, que o Irã anunciou ter fechado. A medida pode ter impactos devastadores para a economia global.
Total de mortos já passou de 1,6 mil. Em números aproximados, 1,2 mil mortes aconteceram no Irã, outras 400 no Líbano e uma dúzia em Israel, segundo autoridades. Sete soldados americanos foram mortos.

Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel e a resposta do Irã:

Trump ameaça Irã com grande ataque caso país bloqueie fluxo de petróleo
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou o Irã dizendo que o país seria atingido "vinte vezes mais forte" caso Teerã bloqueie o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz. Em uma postagem em sua rede social Truth Social, Trump afirmou que tal ação levaria a ataques que tornariam o Irã "praticamente impossível" de ser reconstruído.

"Morte, fogo e fúria cairão sobre eles", publicou Trump, acrescentando que espera que "isso não aconteça".

A retaliação iraniana após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã interrompeu o fluxo de petróleo e gás por um dos mais importantes gargalos do transporte marítimo, elevando os preços do petróleo a um patamar acima de 100 dólares por barril.

Os países produtores de petróleo do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Bahrein) foram diretamente afetados pelo conflito. Com os petroleiros e os navios de gás natural parados, eles estão à espera da reabertura do Estreito de Ormuz.

cn (DW)

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Trump diz que guerra com o Irã está praticamente "concluída"
Donald Trump disse nesta segunda-feira que a guerra no Irã estava "muito mais avançada" do que o prazo inicial de quatro a cinco semanas e disse que considerava a guerra "muito completa" [sic].

"Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea", disse o presidente dos EUA em entrevista à emissora americana CBS News.
"Seus mísseis estão dispersos. Seus drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive suas fábricas de drones", acrescentou.

"Se você observar, eles não têm mais nada. Não sobrou nada em termos militares."
Questionado sobre o Estreito de Ormuz, Trump disse que navios já estão navegando pela região, acrescentando que está "pensando em tomá-lo".

No entanto, não está claro quais são os planos de Trump para o fim da guerra. Na sexta-feira, ele afirmou que apenas a "rendição incondicional" seria aceitável, uma exigência que o Irã não demonstrou disposição para atender.

Desde o início do conflito, o governo Trump apresentou diferentes justificativas para a guerra, que vão desde a mudança de regime até a eliminação da capacidade do Irã de projetar força militar.

rc (DW)

Irã diz que país que expulsar diplomatas dos EUA e Israel poderão usar Estreito de Ormuz.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer país árabe ou europeu que expulsar embaixadores israelenses e americanos de seu território terá passagem irrestrita pelo Estreito de Ormuz a partir desta terça-feira.

De acordo com a emissora estatal iraniana Irib, esses países terão o "direito e a liberdade totais" de transitar pela via navegável estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) se romperem relações diplomáticas com Israel e os Estados Unidos.

Centenas de navios permanecem ancorados em ambos os lados do estreito, enquanto os mercados de petróleo e de transporte marítimo aguardam qualquer sinal de que as viagens possam ser retomadas através do corredor. Cerca de um quinto do petróleo e do GNL globais fluem pelo Estreito de Ormuz.

rc (AFP)

Austrália confirma asilo a jogadoras iranianas
A Austrália confirmou a concessão de asilo a cinco jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã, devido a temores de perseguição por elas terem se recusado a cantar o hino nacional antes de uma partida da Copa da Ásia, disputada no país.

O gesto das atletas iranianas ocorrido na semana passada foi amplamente interpretado como um ato de desafio contra a República Islâmica.

As cinco jogadoras fugiram do hotel da equipe durante a noite e se refugiaram em um "local seguro" enquanto solicitavam asilo, disse o ministro australiano do Interior, Tony Burke.

"Elas foram levadas para um local seguro pela polícia australiana. Aprovei seus pedidos de vistos humanitários ontem à noite", afirmou Burke. "Elas são bem-vindas à Austrália, estão seguras aqui e devem se sentir em casa."

O filho do falecido xá do Irã, Reza Pahlavi, que reside nos EUA, alertou nesta segunda-feira que a recusa em cantar o hino nacional poderia ter "consequências terríveis" e pediu à Austrália que oferecesse proteção à equipe. Políticos e ativistas de direitos humanos também solicitaram proteção oficial para as atlelas.

Um apresentador da TV estatal iraniana chamou as jogadoras de "traidoras em tempos de guerra" depois que elas permaneceram imóveis durante o hino nacional antes da partida contra a Coreia do Sul. Nos jogos subsequentes, elas prestaram continência e cantaram.

O ativista da Anistia Internacional (AI), Zaki Haidari, disse que as atletas enfrentariam perseguição, ou coisa pior, se fossem enviadas de volta para casa.

"Algumas dessas integrantes da equipe provavelmente já tiveram suas famílias ameaçadas", afirmou. "Se elas voltarem […] quem sabe que tipo de punição poderão receber?"

rc (AFP)

França avalia estratégia para reabrir o Estreito de Ormuz
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira, a bordo de um porta-aviões francês enviado ao Mediterrâneo, que a França e seus aliados preparam uma missão "defensiva" para reabrir o Estreito de Ormuz.

A retaliação iraniana após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã interrompeu o fluxo de petróleo e gás por um dos mais importantes gargalos do transporte marítimo de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), elevando os preços do petróleo a um patamar acima de 100 dólares por barril.

Mais cedo, durante uma visita ao Chipre, no Mar Mediterrâneo, Macron disse que a missão envolveria a escolta de navios de transporte de contêineres e petroleiros para reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz "após o fim da fase mais tensa do conflito".

"Isso é essencial para o comércio internacional, mas também para o fluxo de gás e petróleo, que precisa voltar a escoar desta região", disse o presidente francês, acrescentando que a missão envolveria países europeus e não europeus.

A bordo do porta-aviões francês Charles de Gaulle, Macron afirmou que a duração da guerra depende dos objetivos dos EUA e de Israel, mas alertou que a mudança de regime no Irã não ocorrerá com ataques aéreos. Ele alertou que a "fase intensa" da guerra poderá durar "vários dias, talvez várias semanas".

Macron estava no Chipre em uma demonstração de apoio, após um drone iraniano ter atingido uma base aérea britânica na costa sul da ilha na semana passada.

Ele disse que a França enviaria oito navios de guerra, dois porta-helicópteros e o porta-aviões nuclear Charles de Gaulle, equipado com vinte caças Rafale, para o Mediterrâneo Oriental e o Oriente Médio a fim de ajudar a reforçar a segurança.

rc (DW)

Trump diz que escolha de Mojtaba Khamenei no Irã foi um "grande erro"
Donald Trump criticou a escolha de Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do Irã.

"Acho que eles cometeram um grande erro. Não sei se isso vai durar. Acho que eles cometeram um erro", disse Trump à emissora americana NBC News.

O presidente já havia dito que o filho do falecido aiatolá Ali Khamenei seria uma escolha "inaceitável". Ao mesmo tempo, Israel prometeu atacar qualquer sucessor do aiatolá, morto na primeira onda dos ataques americanos e israelenses ao Irã.

O jornal New York Post citou o Trump dizendo que "não estava feliz" com a nomeação de Mojtaba Khamenei para substituir seu pai como líder supremo do Irã.

"Não vou te dizer. Não estou feliz com ele", afirmou, ao ser questionado sobre seus planos para o novo líder supremo iraniano.

Trump também disse que é "cedo demais" para falar sobre uma possível apropriação americana do petróleo iraniano, mas acrescentou que "não descarta essa possibilidade".

rc (AFP, AP)

Guerra ameaça estrangular produção de petróleo no Golfo
O barril de petróleo chegou perto dos 120 dólares nesta segunda-feira (09/03), depois que Israel continuou a atacar a infraestrutura energética do Irã no fim de semana e Teerã anunciou Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do país.

Os desdobramentos do conflito que já dura 10 dias causaram novos temores nos mercados globais de energia, com o petróleo Brent chegando a atingir a cotação de 119,50 dólares por barril.

No mesmo dia, o preço recuou para 93 dólares, mas o agravamento do conflito continua a aumentar o risco para a infraestrutura energética em todo o Oriente Médio, onde os produtores já estão lutando contra os danos causados pelos ataques iranianos e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota de transporte mais importante do mundo para o combustível fóssil.

Com a redução das instalações de armazenamento para exportação da commodity, a questão agora é se a produção de petróleo do Golfo pode ser interrompida em poucos dias.

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Jogadoras da seleção iraniana de futebol pedem asilo na Austrália
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que conversou com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, sobre a seleção feminina de futebol do Irã, após relatos de que cinco jogadoras buscaram asilo na Austrália.

A agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que cinco jogadoras que estavam na Austrália para a Copa da Ásia deixaram secretamente o hotel da equipe com a polícia australiana, e reportagens da imprensa disseram que elas estavam buscando assistência do governo australiano.

Depois de inicialmente publicar nas redes sociais que a Austrália estava "cometendo um terrível erro humanitário" ao permitir que a equipe fosse enviada de volta para casa, Trump disse em outra postagem que havia conversado com Albanese e que o líder australiano estava "fazendo um ótimo trabalho lidando com essa situação bastante delicada".

Trump disse que cinco integrantes da seleção iraniana "já receberam assistência e as demais estão a caminho". "Algumas, no entanto, sentem que devem voltar porque estão preocupadas com a segurança de suas famílias, incluindo ameaças a esses familiares caso não retornem", disse o americano.

A emissora australiana SBS News informou que cinco jogadoras da seleção feminina iraniana estão agora sob a proteção da Polícia Federal australiana, buscando assistência do governo. Fontes do governo confirmaram as informações e acrescentaram que o ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, viajou a Brisbane para se encontrar com as jogadoras.

A campanha das iranianas na Copa da Ásia, sediada na Austrália, começou justamente quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, matando o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

A seleção feminina do Irã foi eliminada no domingo, após perder por 2 a 0 para as Filipinas. Em uma postagem anterior, Trump disse que as jogadoras da equipe "provavelmente seriam mortas" se fossem forçadas a retornar ao Irã. "Os Estados Unidos as levarão se vocês não as levarem", acrescentou.

rc (Reuters)

Otan intercepta segundo míssil balístico do Irã na Turquia
A Turquia afirmou nesta segunda‑feira (09/03) que um segundo míssil balístico lançado pelo Irã contra o seu espaço aéreo foi derrubado pelo sistema de defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A informação foi confirmada por um porta-voz da entidade, que declarou que a Otan "mantém firme sua prontidão para defender todos os Aliados contra qualquer ameaça".

Fragmentos do armamento caíram em uma área aberta na região de Gaziantep, a cerca de 200 quilômetros da base aérea de Incirlik, uma importante instalação da Otan que há décadas é usada por soldados americanos. Não houve feridos, segundo o governo turco.

Os Estados Unidos, por sua vez, pediram que todos os seus cidadãos deixem o sudeste da Turquia devido a preocupações de segurança.

Desde que os ataques dos EUA e de Israel começaram, em 28 de fevereiro, o Irã tem retaliado com mísseis e drones em vários pontos do Oriente Médio. O regime tem visado alvos americanos na região, mas também infraestrutura e alvos civis, como estratégia para elevar os custos do conflito para a Casa Branca.

Até agora, a Turquia parece ter sido poupada, apesar de tropas dos EUA estarem estacionadas em várias das suas bases.

O chefe de comunicações da Presidência turca, Burhanettin Duran, disse que o país não hesitará em proteger seu espaço aéreo e sua segurança de fronteira. "Reiteramos mais uma vez nosso forte alerta a todas as partes, particularmente ao Irã, para que se abstenham de ações que possam colocar em risco a segurança regional e ameaçar civis."

A embaixada dos EUA na Turquia informou ter fechado seu consulado na cidade de Adana. Funcionários não essenciais foram aconselhados a deixar o país.

Autoridades no Catar e nos Emirados Árabes Unidos também disseram ter interceptado mísseis iranianos nesta segunda-feira.

ht/ra (AFP, dpa)

ONG acusa Israel de usar substância química letal contra civis no Líbano
A ONG Human Rights Watch (HRW) acusou Israel de lançar ilegalmente fósforo branco em um ataque na semana passada contra uma zona residencial do vilarejo libanês de Yohmor, no sul do Líbano, no âmbito de uma operação contra a milícia libanesa Hezbollah, aliada do Irã.

Em um relatório divulgado nesta segunda‑feira (09/03), a organização afirmou ter conseguido verificar e geolocalizar sete imagens que indicam o uso da substância inflamável, que pode ser fatal ou causar ferimentos graves com danos permanentes.

"O uso ilegal de fósforo branco pelo exército israelense sobre áreas residenciais é extremamente alarmante e terá consequências terríveis para os civis", disse Ramzi Kaiss, pesquisador sobre o Líbano na HRW.

O exército israelense não comentou inicialmente a acusação. No passado, já afirmou que usa fósforo branco como cortina de fumaça e não para atingir civis, o que seria ilegal no direito internacional.

A substância pode também ser usada para marcação, sinalização e ocultação em contextos militares.

As forças isralenses lançaram uma ofensiva contra o Hezbollah no Líbano após Israel ser alvo de foguetes da milícia libanesa, disparados em apoio ao regime iraniano.

Exército israelense alertou população a evacuar

O fósforo branco queima ao entrar em contato com o oxigênio no ar até que nada reste ou que o fornecimento de oxigênio seja interrompido. Ou seja, tem o poder de incendiar prédios e queimar a carne humana até o osso.

Sobreviventes correm risco de infecções e falência de órgãos ou respiratória, mesmo que suas queimaduras sejam pequenas.

Antes do ataque, em 3 de março, o exército israelense havia pedido à população civil que deixasse o local do ataque e permanecesse a pelo menos um quilômetro de distância, segundo relatório da HRW. Não foi possível verificar se pessoas na área foram feridas pelo fósforo branco.

Um protocolo adicional às Convenções de Genebra sobre direito internacional humanitário proíbe o uso de armas de fósforo quando houver risco para populações.

Em 2023, a HRW e a Anistia Internacional também reportaram que a munição foi usada em várias ocasiões no sul do Líbano, inclusive na presença de civis, e na Faixa de Gaza.

ht/ra (dpa, AP)

Barril de petróleo ultrapassa os 100 dólares pela 1ª vez desde 2022
O recrudescimento do conflito no Oriente Médio fez o preço do petróleo ultrapassar a barreira dos 100 dólares pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

O valor do Brent, referência da commodity na Europa, registrou, nesta segunda-feira (09/03), uma alta de quase 23% em relação a sexta-feira (06/03), atingindo os 114 dólares por barril (159 litros) no início do pregão.

O West Texas Intermediate, o petróleo bruto leve produzido nos Estados Unidos, também estava sendo vendido por cerca de 114 dólares por barril, aumento de 25% em relação à semana passada. No decorrer da manhã, as altas foram, em parte, amortecidas, mas ambas as cotações recuaram para valores próximos de 100 dólares por volta das 7h (horário de Brasília).

Os preços recuaram depois que o jornal Financial Times noticiou que alguns membros do G7 estariam considerando a liberação de reservas estratégicas de petróleo para aliviar a pressão sobre os mercados.

No sábado, o presidente Donald Trump minimizou a ideia de recorrer à reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos, afirmando que os abastecimentos dos EUA eram abundantes e que os preços iriam cair em breve.

Na tarde de sexta-feira, o petróleo Brent para entrega em maio estava sendo negociado a mais de 90 dólares pela primeira vez desde abril de 2024. Antes do início da guerra no Irã, há pouco mais de uma semana, o preço ainda estava em torno de 70 dólares por barril. Os preços dos combustíveis também subiram significativamente desde então.

Também nesta segunda-feira, as bolsas na Ásia e na Europa abriram em queda em meio à continuidade nos conflitos no Oriente Médio e à resistência do Irã, que anunciou neste domingo (08/03) o novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei.

Redução na oferta do petróleo

Os receios de um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, gargalo de transporte do combustível fóssil entre os golfos Pérsico e do Omã, continuam preocupando o mercado. Desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, quase nenhum navio passou pelo estreito.

Em tempo de paz, cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo é transportado por essa rota. Ormuz é também essencial para o transporte de gás liquefeito, por exemplo, do Catar.

Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos estão reduzindo a produção de petróleo à medida que os tanques de armazenamento se enchem devido à redução da capacidade de exportação. Irã, Israel e Estados Unidos também atacaram instalações de petróleo e gás desde o início da guerra, aumentando as preocupações com o abastecimento.

A alta nos custos do petróleo e do gás natural está elevando os preços dos combustíveis, causando um efeito cascata em outros setores e abalando as economias asiáticas, que são especialmente vulneráveis devido à forte dependência da região das importações do Oriente Médio.

fcl/ra (AP, DPA, EFE, ots)

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Irã anuncia Mojtaba Khamenei como novo líder supremo
A emissora estatal do Irã confirmou, neste domingo (08/03), a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país para suceder o pai, Ali Khamenei, morto em ataques de Israel e Estados Unidos no último dia 28 de fevereiro.

Mojtaba, de 56 anos, "é nomeado e apresentado como o terceiro líder do sistema sagrado da República Islâmica do Irã, com base no voto decisivo dos respeitados representantes da Assembleia de Especialistas", disse o órgão, composto por 88 clérigos, em um comunicado.

A nota acrescenta que o órgão clerical "não hesitou nem por um minuto" em escolher um novo líder, apesar da "agressão brutal da América criminosa e do regime sionista maligno".

Mojtaba Khamenei já era considerado um candidato há muito tempo, mesmo antes da morte do pai e apesar de nunca ter sido eleito ou nomeado para um cargo no governo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia chamado Mojtaba Khamenei de "peso leve" e insistiu no domingo que deveria ter a palavra final na nomeação do novo líder iraniano. "Se ele não obtiver a nossa aprovação, não vai durar muito tempo", disse o americano à ABC News antes de o anúncio ser feito.

As forças armadas de Israel já haviam advertido também que "não hesitariam em atacar" qualquer sucessor de Ali Khamenei.

Quem é o novo líder?

O jovem Khamenei é considerado uma figura conservadora, principalmente devido às suas ligações com a Guarda Revolucionária, o braço ideológico das forças armadas da República Islâmica.

Nascido em 8 de setembro de 1969, na cidade sagrada de Mashhad, no leste do Irã, ele é um dos seis filhos do falecido líder supremo.

Ele é o único dos herdeiros do ex-líder supremo a ocupar um cargo público, apesar de não ter nenhum cargo oficial.

Devido à sua discrição em cerimônias oficiais e na mídia, a verdadeira influência de Mojtaba tem sido objeto de intensa especulação há anos entre a população iraniana, bem como nos círculos diplomáticos.

O clérigo, que usa uma barba grisalha e o turbante preto dos "seyyed", descendentes do profeta Maomé, tem sido apresentado por alguns como atuante nos bastidores do centro de poder iraniano.

fcl (AP, AFP)

EUA confirmam a morte de mais um militar americano no conflito; total chega a sete
O exército dos Estados Unidos anunciou, neste domingo (08/03), a sétima morte de um militar americano em combate desde o início do conflito com o Irã.

De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), que supervisiona as forças militares americanas no Oriente Médio, o soldado morreu no sábado (07/03) após ter sido ferido na Arábia Saudita em 1º de março, no início dos ataques de retaliação iranianos.

O Centcom não forneceu mais detalhes sobre as circunstâncias do ataque e informou que a identidade do militar seria mantida em sigilo até 24 horas após a notificação da família.

Os outros seis militares americanos mortos até agora estavam todos no Kuwait e também foram atingidos na onda inicial de ataques retaliatórios do Irã.

No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros altos funcionários de Washington participaram, em uma base militar americana em Delaware, do repatriamento dos corpos dos seis soldados mortos.

"Eles são grandes heróis do nosso país e vamos mantê-los assim. Quando se trata de guerra, sempre há essas (baixas), vamos mantê-las ao mínimo", disse o presidente em Miami, antes da homenagem.

Trump também garantiu no sábado que só enviaria soldados ao território iraniano por "uma razão muito boa". No entanto, de acordo com o site de notícias Axios, Estados Unidos e Israel estão analisando enviar tropas especiais ao Irã para confiscar suas reservas de urânio enriquecido.

Fcl (AFP, DPA, EFE)