Economia

Trump ameaça Guatemala com tarifas por recuar em acordo de país seguro

Trump ameaça Guatemala com tarifas por recuar em acordo de país seguro

O presidente americano, Donald Trump, fala em conferência estudantil em Washington, DC, 23 de julho de 2019 - AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta terça-feira (23) a Guatemala com a taxação de suas exportações e remessas por recuar em um acordo de terceiro país seguro – o que forçaria o país centro-americano a receber migrantes que atravessam seu território.

“A Guatemala, que vem formando caravanas e enviou um grande número de pessoas para os Estados Unidos, algumas com antecedentes criminais, decidiu romper o acordo que eles tinham conosco para assinar um necessário Acordo de Terceiro (País) Seguro”, escreveu Trump no Twitter.

“Estávamos prontos. Agora estamos contemplando a ‘proibição’, as tarifas, as taxas de remessa ou todos os itens acima. A Guatemala não se comportou bem”, acrescentou.

O presidente também lembrou o corte, nove meses atrás, dos “dólares dos contribuintes americanos” destinados à ajuda para o desenvolvimento da Guatemala, considerando que eles não deram os resultados esperados nem impediram a imigração ilegal para os Estados Unidos.

No ano fiscal de 2018, encerrado em 30 de setembro, Washington alocou cerca de US$ 149 milhões para a Guatemala para aliviar as condições que causam a migração.

Trump, que fez da luta contra a imigração ilegal uma bandeira de seu mandato, deveria receber em 15 de julho seu colega guatemalteco, Jimmy Morales, em meio à crescente chegada de imigrantes sem documentação regular aos Estados Unidos, a maioria deles procedentes do chamado Triângulo Norte da América Central (Guatemala, Honduras e El Salvador) fugindo da pobreza e da violência.

Mas Morales suspendeu a reunião depois que a Corte Constitucional (CC) guatemalteca decidiu que qualquer acordo para tornar a Guatemala um terceiro país seguro para migrantes em busca de asilo deve ser aprovado antes pelo Congresso.

Em uma mensagem no Facebook, Morales criticou a CC por se envolver na política externa e disse esperar que a corte “assuma” as “consequências de suas decisões”.