Trump chama líderes iranianos de ‘animais’

Presidente dos EUA ameaçou ainda destruir pontes e usinas iranianas por bloqueio marítimo; Irã exige fim permanente da guerra

Trump chama líderes iranianos de 'animais'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou nesta segunda-feira (6 de abril) seu ultimato ao Irã para a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. Trump ameaçou “dizimar” a infraestrutura civil iraniana, incluindo pontes e usinas de energia, caso o regime de Teerã não ceda até a noite de terça-feira (7 de abril). Ele ainda chamou os líderes do Irã de ‘animais’.

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O que aconteceu

  • Donald Trump deu um ultimato ao Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, sob ameaça de destruir a infraestrutura civil do país.
  • O presidente dos EUA classificou a recusa iraniana como um “crime de guerra”, lamentando não poder confiscar o petróleo do país.
  • O Irã, por sua vez, rejeitou propostas de cessar-fogo temporário e exigiu um fim permanente do conflito, apresentando uma contraproposta de dez pontos.

“O país inteiro pode ser aniquilado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã à noite”, declarou Trump. Ele enfatizou que o prazo para o ultimato vence às 21h do horário de Brasília na terça-feira.

“Todas as pontes no Irã serão destruídas até a meia-noite de amanhã, e todas as usinas de energia do Irã estarão fora de operação, queimando, explodindo e nunca mais poderão ser usadas”, disse. Mais cedo, o presidente já havia afirmado que o Irã poderia voltar à “idade da pedra” sem pontes e centrais de energia.

As ameaças de Trump contra o Irã

Trump ainda acrescentou que considerava um plano para cobrar pedágio pelo petróleo que passa pelo Estreito, ecoando as ameaças iranianas de fazer o mesmo com a hidrovia por onde transita um quinto do petróleo bruto mundial. Mais cedo, o presidente dos EUA minimizou preocupações de que atacar instalações de energia e pontes no Irã — uma tática que a Rússia também usou na Ucrânia — seria um crime de guerra. “Não estou preocupado com isso”, disse Trump, ao ser questionado sobre a legalidade de atacar tais instalações. “Sabe o que é crime de guerra? O crime de guerra é permitir que o Irã tenha uma arma nuclear.”

Questionado novamente sobre o assunto, Trump disse que os líderes do Irã são “animais” que mataram dezenas de milhares de manifestantes. Ele também afirmou que, se dependesse dele, confiscaria o petróleo do Irã, mas que “infelizmente, o povo americano gostaria de nos ver voltar para casa” e encerrar a guerra. “Ao vencedor, os espólios… Se eu pudesse escolher, sim, porque sou um homem de negócios antes de tudo. Eu ficaria com o petróleo e ganharia muito dinheiro”, reiterou Trump.

O presidente dos EUA acrescentou que os americanos que se opõem à guerra com o Irã são “tolos”. Por outro lado, ele também afirmou que ainda está aberto a um acordo, indicando que o Irã é um “participante ativo e disposto” nas negociações para um possível fim ao conflito.

Irã rejeita trégua e contra-ataca com exigências

No entanto, mais cedo nesta segunda-feira, o regime do Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo temporário apresentada por mediadores. Teerã divulgou uma contraproposta e exigiu um fim permanente do conflito iniciado pelos EUA e Israel.

A contraproposta, transmitida aos EUA por mediadores do Paquistão, consiste em dez pontos, incluindo o fim das hostilidades na região, um acordo para o uso do Estreito de Ormuz, o fim das sanções contra o regime de Teerã e indenizações para reconstrução de danos provocados no país, segundo a agência oficial iraniana, que obteve uma cópia do documento.

De acordo com a contraproposta, as autoridades iranianas sublinham “a necessidade de um fim permanente para a guerra” que leve em conta as necessidades da República Islâmica. “Só aceitaremos o fim da guerra com garantias de que não voltaremos a ser atacados”, disse Mojtaba Ferdousi Pour, chefe da missão diplomática iraniana no Cairo.

A escalada da tensão no Estreito de Ormuz

No domingo, em uma publicação com palavrões e ofensas na rede Truth Social, Trump deixou transparecer frustração com a continuidade do bloqueio do Estreito de Ormuz e também reiterou suas ameaças de destruir a infraestrutura civil do Irã caso o regime não libere a passagem marítima.

“Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo de uma vez, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a porra do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão num verdadeiro inferno – Vocês vão ver! Louvado seja Alá”, escreveu Trump. No sábado, Trump já havia dito que o Irã tinha 48 horas para reabrir completamente o Estreito de Ormuz, sob pena de as Forças Armadas americanas fazerem recair um “inferno” sobre os iranianos. Pelo prazo original, os ataques poderiam ter início na segunda-feira, mas no domingo o presidente indicou que o prazo agora é terça-feira.

Segundo relatos da imprensa americana, Israel, país aliado dos EUA no conflito, estaria aguardando sinal verde da Casa Branca para começar sua própria campanha de bombardeios contra usinas de energia iranianas. Nesta segunda-feira, os israelenses já atacaram uma importante central petroquímica do Irã no campo de gás natural de South Pars. O campo de gás, partilhado com o Catar, é o maior do mundo e já tinha sido atacado durante o conflito por Israel, levando a uma retaliação do Irã contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo.

O Estreito de Ormuz é considerado uma via vital do mercado global de energia, por onde trafegam 20% do petróleo produzido no mundo. A via foi bloqueada pelos iranianos pouco depois do início da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel. Desde então, os iranianos têm permitido somente a passagem de alguns navios de “países amigos” e, segundo relatos, em troca de pagamento.

A queda do tráfego marítimo em Ormuz tem pressionado os preços de petróleo e gás mundo afora, além de ameaçar cadeias de fertilizantes e de outros produtos. Na Ásia, onde vários países dependem mais da energia que passa por Ormuz, algumas nações têm adotado medidas para diminuir o consumo de combustíveis, como tarifa zero no transporte público e até feriados extras.

Especialistas militares têm afirmado nas últimas semanas que os EUA parecem ter subestimado que o Irã tinha capacidade retaliatória para fechar Ormuz. Inicialmente, os EUA propagandeavam como objetivos da guerra uma degradação da capacidade militar e nuclear do Irã e até uma desejada “mudança de regime” no país. No entanto, nos últimos dias, os EUA têm sido crescentemente forçados a focar em Ormuz, com o objetivo de liberar a via — ou seja, para que ele volte ao mesmo status de antes da guerra.

A destruição de infraestrutura civil pode ser crime de guerra?

Um ataque às usinas a gás do Irã ameaçaria diretamente o fornecimento de energia de milhões de habitantes do país. Um colapso elétrico pode ter consequências graves, como interrupção de sistemas de resfriamento e aquecimento, interrupção do abastecimento de água devido ao desligamento das bombas. Também seriam afetados o sistema bancário e a indústria.

Nos últimos dias, o Irã tem afirmado que, se os EUA e Israel lançarem tais ataques, o regime pretende retaliar atacando usinas de dessalinização na região do Golfo. Já ocorreram danos a instalações desse tipo no Bahrein e no Kuwait, provocados por ataques ou por destroços de mísseis – possivelmente um aviso indireto enviado pelo Irã.

Uma campanha sistemática contra essas estruturas representaria uma escalada ainda mais grave, colocando em risco o abastecimento de água de milhões de pessoas. Poucas regiões do mundo dependem tanto da dessalinização quanto os países do Golfo. Além disso, a destruição de infraestrutura civil como usinas de energia pode ser ilegal segundo o direito internacional humanitário e pode constituir um crime de guerra, segundo especialistas.

Com informações da DW