A crise no Oriente Médio prosseguiu nesta quinta-feira (19/03), após novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump. Em uma postagem inflamada na rede Truth Social, Trump ameaçou “explodir maciçamente” a infraestrutura de gás do Irã caso o regime de Teerã não cesse os ataques contra o Catar, segundo maior exportador mundial de GNL. A retaliação iraniana ao complexo de Ras Laffan, motivada por bombardeios israelenses, empurrou o barril de petróleo Brent para além dos 112 dólares, sinalizando um choque energético global que já mobiliza bancos centrais e a diplomacia europeia.
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O mapa da escalada energética
- Ameaça direta: Trump afirma que Washington pode agir sozinho para destruir o Campo de Gás de South Pars, pilar da economia iraniana.
- Catar sob fogo: O porto de Ras Laffan sofreu “danos consideráveis” em ataques iranianos, cruzando, segundo Doha, todas as “linhas vermelhas”.
- Caos logístico: Cerca de 3.200 navios e 20.000 marinheiros estão retidos no Estreito de Ormuz sob ameaça de projéteis e bloqueios.
O fim da zona de exclusão civil
O conflito iniciado em 28 de fevereiro deixou de ser uma disputa militar localizada para se tornar uma guerra de extermínio econômico. Ao confirmar que Israel foi o autor do ataque ao campo de gás iraniano na quarta-feira — alegando desconhecimento prévio da ação —, Trump abriu caminho para que Teerã mirasse o Catar. Ras Laffan, o maior porto de exportação de GNL do mundo, tornou-se o alvo da vez, forçando a QatarEnergy a controlar incêndios em instalações vitais.
O impacto já é sentido nos Emirados Árabes Unidos, que fecharam centros de processamento após a queda de destroços de mísseis interceptados. A Arábia Saudita, sentindo o cerco fechar, já declarou que “se reserva o direito” de uma resposta militar imediata contra as investidas iranianas.
Choque global e inflação de guerra

Foto divulgada em 11 de março de 2026 pela Marinha Real da Tailândia mostra fumaça saindo do navio tailandês “Mayuree Naree” perto do estreito de Ormuz após um ataque
A paralisia no Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do fornecimento mundial de energia, acionou o sinal de alerta em Londres e Frankfurt. A Organização Marítima Internacional (OMI) busca desesperadamente um “corredor seguro” para evacuar milhares de marinheiros presos na zona de fogo.
Simultaneamente, o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (Fed) monitoram a disparada dos preços. O temor é que a inflação de energia aniquile o crescimento global. O presidente francês, Emmanuel Macron, tentou intervir pedindo uma moratória nos ataques à infraestrutura civil, mas a retórica de “olho por olho” entre Washington e Teerã parece ignorar os apelos diplomáticos.
O custo humano da geopolítica
Em apenas três semanas, a guerra já ceifou mais de 2.200 vidas, concentradas principalmente no Irã e no Líbano. Enquanto as forças israelenses combatem o Hezbollah na segunda frente de batalha, o mundo assiste à destruição sistemática de cadeias de suprimento essenciais. O que começou como uma ofensiva pontual transformou-se em um labirinto de ataques e contra-ataques onde o fornecimento de energia virou refém da sobrevivência de regimes.
Com informações da AFP