O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (9) reter parte dos recursos federais destinados à cidade de Nova York caso as autoridades municipais não incluam Little Italy, bairro historicamente associado à comunidade italiana, em um mapa oficial da cidade.
A declaração ocorreu durante um evento na Casa Branca dedicado ao Dia de Colombo, celebração que homenageia o navegador genovês Cristóvão Colombo.
Durante o discurso, Trump criticou a ausência do bairro no documento divulgado pelas autoridades locais e classificou a situação como uma vergonha.
O republicano afirmou que poderá suspender parte dos repasses financeiros à cidade caso a representação cartográfica não seja alterada.
O presidente não detalhou quais recursos poderiam ser afetados nem apresentou um prazo para que a prefeitura realizasse a mudança.
Trump cobra inclusão de Little Italy em mapa de Nova York
Ao comentar o mapa oficial, Trump afirmou que a ausência de Little Italy representa uma falta de reconhecimento da importância histórica da comunidade ítalo-americana.
Localizado em Manhattan, Little Italy tornou-se um dos principais símbolos da imigração italiana para os Estados Unidos, especialmente durante o período de chegada de imigrantes europeus à cidade.
O bairro preserva referências culturais, estabelecimentos comerciais e tradições associadas à presença italiana em Nova York.
Durante a cerimônia, Trump acusou seus adversários políticos de tentar diminuir a contribuição dessa comunidade para a formação da sociedade americana.
O presidente também vinculou a questão à necessidade de preservar a memória e a identidade dos descendentes de italianos no país.
Apesar da ameaça, não foram apresentados detalhes sobre os mecanismos administrativos ou legais que poderiam permitir a retenção das verbas mencionadas.
Presidente homenageia personalidades ítalo-americanas
Durante o evento, Trump destacou a influência de descendentes de italianos na cultura, no esporte e nas instituições dos Estados Unidos.
Entre os nomes citados estavam o ex-jogador de beisebol Joe DiMaggio, o ator Sylvester Stallone e o cantor Frank Sinatra.
O republicano também mencionou o ex-ministro da Suprema Corte Antonin Scalia e o atual integrante do tribunal Samuel Alito.
Trump elogiou a contribuição italiana para a história americana e afirmou que o país recebeu grandes talentos dessa comunidade.
O presidente ainda fez referência ao tenor Luciano Pavarotti, destacando sua importância para a música internacional.
As homenagens ocorreram em um contexto de valorização da identidade ítalo-americana, tema que também possui relevância política nos Estados Unidos.
Dia de Colombo provoca disputas sobre memória histórica
A cerimônia também foi marcada pela defesa da figura de Cristóvão Colombo, navegador nascido em Gênova, na atual Itália.
Em 1492, Colombo liderou uma expedição financiada pela Coroa Espanhola que chegou ao continente americano, episódio que marcou o início de uma nova etapa da expansão colonial europeia.
Sua trajetória permanece objeto de debates históricos, especialmente pelas consequências da colonização para os povos indígenas das Américas.
Nos Estados Unidos, monumentos dedicados ao navegador tornaram-se alvo de manifestações e discussões sobre a maneira como o período colonial deve ser lembrado.
Algumas cidades e estados passaram a reconhecer o Dia dos Povos Indígenas como alternativa ou complemento às homenagens tradicionais a Colombo.
Trump, por sua vez, defendeu a preservação das estátuas e das celebrações dedicadas ao explorador.
Trump critica retirada de monumentos de Cristóvão Colombo
Durante seu pronunciamento, o presidente acusou setores da esquerda americana de tentar eliminar as homenagens ao navegador.
Trump afirmou que sua administração atua para proteger a celebração do Dia de Colombo e preservar monumentos históricos associados ao explorador.
O republicano também chamou a atenção para uma réplica de uma estátua de Colombo instalada nas proximidades do Edifício do Escritório Executivo Eisenhower, dentro do complexo da Casa Branca.
A homenagem foi apresentada como parte dos esforços do governo para valorizar a herança italiana nos Estados Unidos.
O tema tem provocado divergências entre grupos que defendem a preservação dos monumentos e movimentos que questionam a celebração de figuras ligadas à colonização.
Representantes da comunidade italiana participaram da cerimônia
O evento contou com a presença do embaixador da Itália nos Estados Unidos, Marco Peronaci, e do presidente da Fundação Nacional Ítalo-Americana, Robert Allegrini.
Trump agradeceu aos representantes pela participação e ressaltou a importância dos vínculos históricos e culturais entre os dois países.
A cerimônia também ocorreu em meio ao cenário político que antecede as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro.
A valorização da comunidade ítalo-americana foi um dos temas centrais do discurso presidencial.
Presidente também comenta reformas na Casa Branca
Além das referências à imigração italiana e à história americana, Trump comentou intervenções realizadas no complexo da Casa Branca.
O presidente mencionou obras e melhorias na residência oficial, incluindo a construção de um heliponto.
Ele também afirmou que apresentaria aos convidados o salão de baile, destacando as mudanças realizadas no espaço.
As declarações encerraram uma cerimônia marcada por homenagens culturais, críticas políticas e pela ameaça de retenção de recursos federais destinados a Nova York.
Da IstoÉ