O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste sábado (29), que o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela deve ser considerado “completamente fechado”, em meio a um confronto crescente com o presidente esquerdista Nicolás Maduro.
“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem O ESPAÇO AÉREO ACIMA E AO REDOR DA VENEZUELA COMO FECHADO EM SUA TOTALIDADE”, escreveu Trump em sua rede Truth Social, sem revelar mais detalhes.
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A Venezuela denunciou a advertência do presidente americano como uma “ameaça colonialista” à sua soberania.
“A Venezuela denuncia e condena a ameaça colonialista que pretende afetar a soberania de seu espaço aéreo (…), uma nova agressão extravagante, ilegal e injustificada contra o povo da Venezuela”, destacou o texto publicado pelo chanceler Yván Gil.
Caracas também alertou que “através desta ação, o governo dos Estados Unidos suspendeu, de forma unilateral, os voos de migrantes venezuelanos que vinham sendo realizados de forma regular no âmbito da repatriação de venezuelanos”.
Aproximadamente 75 voos foram realizados este ano, com pelo menos 13.956 venezuelanos deportados dos Estados Unidos.
Desde o início de setembro, o governo Trump aumentou a pressão sobre a Venezuela com uma grande mobilização militar no Caribe, que inclui o maior porta-aviões do mundo. O presidente americano afirma que seu objetivo é deter o tráfico de drogas procedente do país sul-americano, mas Caracas afirma que Washington busca uma mudança de regime.
Desde o início da mobilização da frota militar, as forças americanas mataram pelo menos 83 pessoas em mais de 20 ataques contra supostas ‘narcolanchas’ no Caribe e no leste do Pacífico.
Washington não apresentou nenhuma evidência de que as embarcações atingidas eram utilizadas para transportar drogas ou representavam uma ameaça aos Estados Unidos.
Trump citou esforços ‘por terra’
Para aumentar a pressão, Trump advertiu, no início da semana, que os esforços para conter o narcotráfico venezuelano “por terra” começariam “muito em breve”.
Nos últimos dias, um site de rastreamento de aviões registrou uma atividade constante de caças americanos a poucas dezenas de quilômetros da costa venezuelana.
A República Dominicana, vizinha da Venezuela, autorizou, nesta semana, que as forças americanas utilizem instalações aeroportuárias como parte de sua mobilização, enquanto Trinidad e Tobago foi cenário recentemente de exercícios do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.
As tensões regionais aumentaram com a campanha militar.
Suspensão de voos
As autoridades do setor de aviação dos Estados Unidos afirmaram, na semana passada, que as aeronaves civis que operam no espaço aéreo venezuelano deveriam “agir com precaução” devido à “situação de segurança que piora e à atividade militar intensificada na Venezuela ou em seus arredores”.
O alerta de Trump motivou a suspensão de voos tendo como origem e destino a Venezuela de seis companhias aéreas que representam grande parte do tráfego na América do Sul.
A medida enfureceu Caracas. O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (Inac) da Venezuela revogou as licenças de operação no país de seis companhias: a espanhola Iberia, a portuguesa TAP, a colombiana Avianca, a filial colombiana da chileno-brasileira Latam, a brasileira GOL e turca Turkish.
O governo Maduro acusa as companhias aéreas de aderirem “às ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos Estados Unidos” e suspendeu “unilateralmente suas operações aerocomerciais”.
No Aeroporto de Maiquetía, o principal da Venezuela, jornalistas da AFP constataram, neste sábado, operações de aeronaves nacionais e internacionais na pista de pouso.
O jornal The New York Times noticiou, na sexta-feira, que Trump e Maduro tiveram uma conversa telefônica na semana passada, durante a qual abordaram uma possível reunião nos Estados Unidos.
A notícia sobre a ligação entre Trump e Maduro foi divulgada um dia após o presidente americano ter afirmado que os esforços para deter o tráfico de drogas venezuelano por terra eram iminentes, o que aumentou ainda mais as tensões com Caracas.