Trump admite retirada de agentes federais de Minneapolis após mortes

Declaração foi dada durante entrevista por telefone ao Wall Street Journal

Trump admite retirada de agentes federais de Minneapolis após mortes

WASHINGTON, 26 JAN (ANSA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar aberto à possibilidade de retirar os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) de Minneapolis, embora não tenha indicado um prazo para a eventual saída.

A declaração foi dada durante entrevista por telefone ao Wall Street Journal no último domingo (25), após as mortes de dois cidadãos norte-americanos por agentes federais em Minneapolis.

“Em algum momento, nós iremos embora. Já fizemos isso, eles fizeram um trabalho fenomenal”, afirmou o republicano.

Questionado se a retirada ocorreria em breve, Trump elogiou o que o governo já fez em Minnesota e explicou que o governo pretende manter no estado uma equipe dedicada ao combate a fraudes financeiras.

De acordo com o presidente dos EUA, a intensificação da fiscalização migratória em Minnesota foi motivada por um “escândalo generalizado” de fraude em programas de assistência social, envolvendo comunidades de imigrantes somalis.

“É a maior fraude que já vimos”, declarou, acrescentando que casos semelhantes podem ser “muito maiores” na Califórnia.

Na mesma entrevista, Trump comentou o caso do homem morto a tiros por um agente federal durante protestos no último fim de semana. Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, morreu durante uma operação de imigração em Minneapolis, no sábado (24).

O líder norte-americano evitou dizer diretamente, quando questionado duas vezes, se a ação do agente foi correta e afirmou que o governo ainda está investigando o episódio: “Estamos analisando tudo e avaliando, e tomaremos uma decisão sobre isso”.

Embora tenha evitado um julgamento direto, Trump criticou a vítima – Pretti – por portar uma arma durante o protesto.

“Eu não gosto de atirar. Eu não gosto disso. Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto com uma arma muito potente, totalmente carregada”, afirmou ele, ressaltando que “isso também não é um bom sinal”. “É uma arma que dispara quando as pessoas não percebem”.

O Departamento de Segurança Interna informou que Pretti carregava uma pistola semiautomática de 9 mm – ele tinha autorização legal para portar uma arma de fogo.

As declarações de Trump provocaram reações políticas, como a do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, que acusou o magnata de mentir sobre os acontecimentos em Minneapolis e pediu que os cidadãos americanos “se manifestem”.

“Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia americana nos manifestarmos”, afirmou Clinton, condenado o que classificou como “cenas horríveis” e destacando que o governo Trump “mentiu para nós” sobre as duas mortes.

A morte de Pretti é o segundo caso fatal envolvendo operações de imigração em Minneapolis, em menos de um mês. Em 7 de janeiro, Renee Good foi morta. (ANSA).